quinta-feira, 17 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Discurso
O discurso pol�tico dos homens do concelho portuense na �poca medieval
Adelaide Costa
Universidade Aberta
Esta comunica��o resulta algo ex�gena face ao painel apresentado no Col�quio. A pesquisa n�o se centra num discurso cristalizado na historiografia, na literatura, na arte ou no direito mas em testemunhos da pr�tica pol�tico-administrativa. Mais propriamente, num conjunto de documentos produzidos pelos autarcas portuenses dos s�culos XIV e XV, no contexto da sua vida de rela��o institucional com outra estrutura do sistema pol�tico, a coroa[1].
As fontes utilizadas n�o abarcam a amplitude do contacto epistolar estabelecido, em finais da Idade M�dia, entre o concelho do Porto e os monarcas. Nas actas camar�rias sucedem-se refer�ncias ao envio de missivas, sintetizando a mat�ria sobre que estas versam, mas omitindo a sua redac��o final. Por outro lado, despachos correntes da administra��o escapam � coer�ncia que sustenta esta s�rie.
O n�cleo documental constroi-se, assim, tendo por base a especificidade da mensagem que certos textos destinados ao rei encerram; neles os oligarcas portuenses requerem algo ou protestam contra uma determinada situa��o.
Integrando os cap�tulos especiais apresentados em cortes, a pesquisa n�o assenta, em exclusivo, neles. De facto, independentemente de as queixas e os rogos concelhios serem expressos nas assembleias parlamentares ou fora delas, a inten��o corporizada nos documentos uniformiza-os[2].
As condi��es de acesso ao discurso dos autarcas portuenses s�o, n�o raro, deficit�rias. De facto, os traslados dos textos que a cidade envia ao rei n�o existem em n�mero significativo e, assim, recupera-se o discurso dos povos com base nas respostas r�gias. Estas, tanto transcrevem na �ntegra o documento que as desencadeia como se limitam a nome�-lo, enunciando o tema mas economizando no aparato argumentativo. Express�es gen�ricas como �e ao que dizeis sobre� uma determinada mat�ria ou �os oficiais e homens bons do concelho apresentaram boas raz�es� impedem-nos de conhecer, cabalmente, os fundamentos expostos.
O paradigma incontorn�vel de an�lise das queixas dos povos em contexto de cortes foi apresentado pelo Doutor Armindo de Sousa[3]. Uma proposta inovadora, testada pelo autor nos cap�tulos gerais e aplicada, sob a sua orienta��o, a artigos especiais do Porto[4].
Os agravamentos gerais e os especiais de cada concelho[5], estes �ltimos expostos ou n�o em cortes, comungam de uma semelhan�a formal: a sua estrutura contempla os factos motivadores da insatisfa��o, o requerimento e as justifica��es que o sustentam[6].
Segundo o autor que estamos a seguir � no requerimento que se encontra o n�cleo substantivo do discurso e foi precisamente a� que ele deteve a sua an�lise textual, no que foi seguido pelos orientandos. Contudo, o Doutor Armindo de Sousa anunciou, sem que o pudesse ter cumprido, um volume integralmente dedicado � ret�rica dos cap�tulos gerais.
O tema dos agravos dos concelhos, nomeadamente do Porto, foi abordado por in�meros medievistas, de forma mais ou menos sistem�tica[7]. Por isso, seria redundante mencionar as cr�ticas dirigidas aos oficiais r�gios e aos fidalgos; deter-me na desmontagem das estrat�gias das oligarquias locais que os cap�tulos expressam; ou, ainda, questionar o grau de veracidade/exagero das situa��es descritas e a dif�cil aplicabilidade pr�tica das determina��es r�gias resultantes das cortes.
Proponho-me dirigir a pesquisa para as justifica��es expressas nos pedidos ou nos agravos apresentados pelo concelho do Porto com o intuito de convencer o rei da justeza das suas pretens�es.
Como ponto pr�vio, adiante-se que a redac��o dos cap�tulos especiais n�o � t�o cuidada quanto a de, pelo menos, alguns dos gerais. O apoio te�rico do discurso � substancialmente mais pobre. A argumenta��o n�o remete para o pensamento de autoridades � como Arist�teles ou B�rtolo � e n�o se exp�em princ�pios jur�dicos formalizados em latim[8].
Quais s�o, ent�o, os esteios que suportam os requerimentos do concelho do Porto?
Nem sempre as peti��es se escoram numa desenvolvida argumenta��o. A destrin�a entre cr�tica e pedido, enquanto directriz b�sica da iniciativa concelhia, ajudar� a compreender que, por vezes, se esgrimam proposi��es s�lidas e, noutras, elas sejam substitu�das por apelos ao sentido de justi�a do rei, ao seu arb�trio ou a valores vagos.
� poss�vel tipificar os argumentos adiantados pelos oligarcas portuenses em fun��o de referentes como o tempo, o espa�o, e as normas. Assim, contrap�em-se situa��es coevas com as ocorridas num passado, datado ou n�o, compara-se a realidade vivida no burgo com realidades conhecidas de outros locais, coteja-se o direito vigente com a sua inaplicabilidade.
Abordemos desde j�, para depois as afastar, as express�es gen�ricas como o �servi�o do rei, prol e honra da cidade� ou o �bem comunal�. F�rmulas omnipresentes nos textos pol�tico-administrativos, quer emitidos pelos concelhos quer pela coroa, surgem, por vezes, nestas peti��es enquanto o suporte exclusivo da demonstra��o do desagrado ou de um prop�sito.
Lendo este t�pico � luz dos requerimentos que sustenta, conclui-se tratar-se de pedidos que remetem para um alargado espectro de situa��es, tais como as de tentar convencer o monarca a anular mandados[9], a proceder a investimentos urban�sticos na cidade[10] ou a anuir a altera��es na estrutura��o do com�rcio[11].
Ditos que tendem a demonstrar a consci�ncia da responsabilidade dos oficiais perante o bem comum dos vizinhos do Porto, ainda que, n�o raro, se limitem a salvaguardar o bem ou bens pessoais dos seus autores.
Ningu�m se admirar� se apontarmos como a primeira base de sustenta��o dos requerimentos concelhios o confronto entre a situa��o presente - ferida do v�cio da inova��o - e o passado, para onde se remete uma ordem desej�vel. Trata-se de um mote que imbui organicamente toda a sociedade medieval e n�o apenas os discursos produzidos no �mbito dos poderes pol�ticos.
Express�es como: �e que esto se ffaz de pouco tempo � �ca�[12], �e que esto nunqua lhes foi feito sen�o hora�[13], abundam nos textos.
Mas esta ideia geral apresenta cambiantes. O passado que se reclama pode permanecer est�tico e uniforme - apenas interrompido pelo recente movimento da inova��o - ou cadenciar-se, com base em segmentos de refer�ncia correspondentes a factos localizados[14] ou aos reinados. Estes nomeiam-se de forma vaga - os reis antecessores do actual[15] - ou de modo espec�fico, identificando-se os monarcas[16]. E este confronto presente/passado atravessa a maior parte das queixas.
Os motivos que causam desagrado ao burgo - para al�m derrogarem a ordem estabelecida no passado e, as mais das vezes, em converg�ncia com esta alega��o � podem, tamb�m, transgredir as normas vigentes. Apela-se, assim, ao respeito pelo costume, pelo direito positivo e pelo privil�gio.
S�o constantes f�rmulas como: �elles senpre husaram�[17], o concelho e homens bons �am antressy custume de tempo antigo�[18].
O direito positivo - as ordena��es, leis r�gias, posturas - corresponde, tamb�m, a um alicerce dos prop�sitos da cidade � percept�vel pelo uso de f�rmulas como: �diziam que recebiam agravo e lhe hyam contra a hordinha�om�[19].
O mesmo � v�lido para os privil�gios atribu�dos pelos monarcas ao burgo, um verdadeiro manancial de argumentos que sustentam as peti��es[20]. Entrando em linha de conta com a natureza dos requerimentos, adiantar-se-� que se recorre a esta fonte de direito, de prefer�ncia, quando o objecto de censura coincide com os fidalgos, quest�es comerciais e irregularidades na dada de of�cios.
Passemos ao referente espa�o, tamb�m com direito a cidadania no leque de justifica��es aludidas pelos homens bons do burgo.
Percept�vel em express�es como: �e que esto nunqua lhes foi feito ... nem se faz em Lixboa�[21]; �como costumavam em nas boas cidades� ou, assim se faz �em esta cidade de Lisboa e asy em alguuas outras villas e lugares dos nossos regnos�[22].
Fugindo � tenta��o de atribuir sensibilidades anacr�nicas aos portuenses de Quatrocentos, dir-se-� que a escolha preferencial de Lisboa enquanto elemento de refer�ncia se explica pela sua incontestada posi��o de primeiro n�cleo urbano do reino. Um exemplo a que o Porto � com ela confinante em termos de representa��o pol�tica - naturalmente recorre. Lembremos que, em cortes, os delegados dos dois concelhos se sentam no mesmo banco, que � o primeiro.
Vejamos, agora, os t�picos espec�ficos da cidade do Porto.
Esta alegada especificidade n�o implica que s� o burgo, e em exclusivo, recorra a certo tipo de proposi��es mas que se trata de argumentos que apelam a uma vers�o da realidade concreta do Porto. � o retrato que da cidade os homens do poder municipal projectam para o rei.
Cada concelho apresentar� alega��es preenchidas com singularidades da sua hist�ria ou da natureza do s�tio em que se encontrava implantado o n�cleo.
O primeiro argumento corresponde, precisamente, �s caracter�sticas do s�tio do Porto[23]: lugar seco, maninho, de pedra, �spero. Em contraste com a sua posi��o geogr�fica, mais propriamente, a excel�ncia do seu porto de mar[24].
Um segundo decorre do modo de vida dos portuenses: s�o mercadores, indiv�duos ausentes, tendo como exclusiva fonte de rendimento o com�rcio que constitui, tamb�m, a �nica possibilidade de sobreviv�ncia do burgo[25].
Uma terceira alega��o � a do poderio naval do Porto: a� �avya mais naves e navyos que em todo meu senhorio�[26].
Por fim, o t�pico dos servi�os prestados pela cidade � dinastia de Avis[27], expressa no c�lere apoio � causa do Mestre, na mobiliza��o contra o cerco castelhano a Lisboa e no forte empenho demonstrado na empresa dos Descobrimentos. Motes j� analisados, demoradamente, em trabalho anterior[28].
Penso que a aplica��o desta matriz de an�lise a cap�tulos de cortes de outras localidades, permitir� encontrar as recorr�ncias do discurso dos povos e a apropria��o espec�fica que cada um faz de alguns esteios argumentativos. Ou seja, a imagem que de si pretendem projectar.
A esquematiza��o das alega��es, apresentadas pelo concelho aos monarcas, falseia a sua real articula��o no mesmo requerimento, uma vez que elas raramente se utilizam de forma aut�noma. A organicidade � mais clara no caso dos t�picos espec�ficos do burgo. Assim, os condicionalismos naturais do local onde a cidade se implanta � a estreiteza do s�tio e a promissora posi��o estrat�gica - determinam a fixa��o do modo de vida dos portuenses � a mercancia. Do desenvolvimento desta actividade emerge o poderio naval. Esta estrutura discursiva evolui, incorporando um novo argumento que � o do papel decisivo do Porto na funda��o da dinastia de Avis. Justifica��o que surge em tempo de D. Jo�o I e estar� votada a um secular futuro[29].
A an�lise do argumento do respeito pela ordem jur�dica aduz elementos significativos. Assim, a mesma norma pode filiar-se em v�rias fontes de direito. Isto significa que � poss�vel um costume ser apresentado noutro requerimento como um privil�gio ou, ainda, como uma postura. � o caso da n�o aposentadoria de fidalgos na cidade que assume todas estas modalidades jur�dicas. Tal indicia que os mesmos princ�pios merecem a consagra��o da parte de v�rios sujeitos com capacidade de produzir direito e, acima de tudo, revela a import�ncia da anu�ncia r�gia.
O recurso ao t�pico dos privil�gios � uma recorr�ncia do discurso dos povos e n�o s�, pois constitui uma fonte de direito a que todas as entidades recorrem, independentemente da mat�ria substantiva que eles protejam. De entre a profus�o de privil�gios atribu�dos a indiv�duos, grupos, institui��es e � cidade destaca-se, pela insist�ncia com que era mencionado, o do impedimento da aposentadoria de fidalgos no burgo. Os autarcas portuenses chegam mesmo a ensaiar uma amplia��o da al�ada do privil�gio a situa��es que ele n�o inclu�a. Assim, em 1466, acrescentam-lhe a proibi��o do acostamento de vizinhos da cidade a fidalgos, o que constitu�a uma inexactid�o que n�o passa despercebida ao monarca[30].
Raramente todos os t�picos apresentados se cristalizam num discurso �nico e coerente, mas s�o respigadas numa multiplicidade de textos que emanam do concelho do Porto.
Existem, contudo, alguns documentos que poder�amos considerar perfeitos. � o caso de um cap�tulo especial do Porto apresentado nas cortes de 1436, cuja estrutura e articula��o interna destoa do laconismo que caracteriza muitos dos outros. Constitui, assim, uma s�mula de todos estes t�picos[31].
Em trabalho anterior, pela an�lise deste agravamento e de outros que se lhe seguiram que praticamente o transcrevem, aventei a hip�tese de ele constituir um dos eixos em que assenta o discurso do poder concelhio portuense, formalizado na Idade M�dia e actualizado em �pocas posteriores. O que come�ou por ser mat�ria substantiva de requerimentos apresentados pelos autarcas do Porto foi, depois, utilizado com um prop�sito negocial para conseguir a contrapartida para o burgo de privil�gios singulares. Evolui no sentido de se cristalizar num discurso pol�tico, descontextualizado da sua aplica��o inicial. Para, finalmente, encontrar reflexo directo em textos liter�rios e historiogr�ficos que interpretam as justifica��es do concelho como a transcri��o literal da realidade[32].
Conhecidos os t�picos presentes na argumenta��o encontrada nestes textos, importa, agora, averiguar o valor negocial de que se revestiam.
A justifica��o � utilizada para marcar um ponto de vista. Desenvolve-se um racioc�nio tendente a descrever uma situa��o irregular (quando existe uma norma) ou injusta (quando a decis�o cai no arb�trio do monarca) no sentido de a alterar.
Nem todas as proposi��es ter�o mesmo val�ncia, em termos absolutos, e nem sempre assumem a mesma efic�cia. Quanto mais vaga for a formaliza��o dos argumentos apresentados, menos esperan�a os autarcas depositar�o na sua operacionalidade. No entanto, a for�a das alega��es n�o � un�voca. O recurso a um privil�gio n�o tem necessariamente mais impacto do que a uma postura ou a uma ordena��o. O rei respeita todas as normas jur�dicas mas a necessidade dos tempos e o est�dio de equil�brio entre as for�as que integram o sistema pol�tico interferem no sentido da sua resposta.
Chegados aqui uma pergunta deve estar nas vossas mentes. O Col�quio subordina-se ao tema �Discursos de Legitima��o�; de discursos, mormente do pol�tico, falei at� este momento. Mas este discurso legitima o qu�?
Certamente que n�o valida a exist�ncia do poder concelhio. A consigna��o jurisdicional das comunidades territoriais organizadas era aceite e regulamentada pela pr�pria coroa.
Este esteio argumentativo recorrente visa proporcionar uma legitima��o de prop�sitos assumidos por homens que exercem o poder, legitima��o essa que ter� de ser feita por um sujeito que lhes � exterior: o monarca.
N�o se trata de legitima��es est�ticas que uma vez conseguidas s�o inatac�veis. Consoante a conjuntura pol�tica, econ�mica, b�lica o equil�brio conseguido desfaz-se rapidamente. Por isso, a legitima��o para os mesmos objectivos busca-se, ciclicamente, cada vez que h� uma mudan�a de reinado, uma crise de pol�tica, um avan�ar do controle do centro sobre as periferias, um fortalecimento de outras estruturas do sistema pol�tico que s�o os senhores.
As alega��es dos textos portuenses pretendem, t�o somente, que os objectivos neles expressos sejam legitimados por um certo per�odo, porque apesar de muitas situa��es se manterem h� tanto tempo que a mem�ria dos homens n�o contraria, a possibilidade da inova��o espreita a todo o momento. E os povos sabem que as respostas r�gias correspondem a um discurso em constru��o.
Poema
(Contigo eu sei que eu posso suportar Senhor, pois teu poder se aperfeiçoa na minha fraqueza Deus... Por isso eu posso suportar, Por isso eu posso suportar, Ooohh, Então vamo lá!)
Eu sigo em frente nessa estrada eterna
Com cicatrizes tão profundas
Quanto as que um arado deixa na terra
Muita pressão está sobre minhas pernas
Com lágrimas nos olhos
Que se conta uma história bela
Quantas vezes parei porque cansei
Quantas vezes chorei porque tive medo
Quantas vezes? Nem sei... quantas vezes?
Meu bom Senhor, só Tu sabe quantas vezes
Meus ombros sangram por causa das feridas
Que neles se abriram
Esse é o preço por carregar o peso do concílio
Mas eu não desisto
Não vou largar no chão a arca da aliança
Pois a marca da promessa está sobre minha testa
Meus pés inchados doem de tanto caminhar
Mas vou ignorar, pois tenho lutas pra travar
Deixa sangrar, pois a força que está em mim já pode suportar.
REFRÃO
As dores do mundo, já posso suportar
As guerras e aflições, já posso suportar
Pela força que em mim está
Já posso suportar, já posso suportar.
O maior dos espíritos habita em mim
Eu sou a casa que Ele escolheu para morar
Por causa disso, já posso suportar
No final de tudo eu vou poder dizer
Que lutei o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé
Hei de terminar minha batalha em pé
Um dia desses que eu não sei ao certo qual é
Isso acontecerá, até lá não deixarei de acreditar
Que maior é o que está em mim do que o que está no mundo
Sendo assim enfrento tudo
Tornou-se limpo o imundo, o excluído agora é aceitável
Fortaleceu-se o frágil.
Inimaginável
É o que ainda se reserva pros que crêem
Maravilhas e vitórias dignas de um rei
Então buscarei, quantas vitórias eu puder e Lhe dedicarei
Por Teu intermédio é que as obtive
Mesmo nos dias de crise, dias infelizes
Eu sigo em frente nessa estrada eterna
Com cicatrizes tão profundas
Quanto as que um arado deixa na terra
Muita pressão está sobre minhas pernas
Com lágrimas nos olhos
Que se conta uma história bela
Quantas vezes parei porque cansei
Quantas vezes chorei porque tive medo
Quantas vezes? Nem sei... quantas vezes?
Meu bom Senhor, só Tu sabe quantas vezes
Meus ombros sangram por causa das feridas
Que neles se abriram
Esse é o preço por carregar o peso do concílio
Mas eu não desisto
Não vou largar no chão a arca da aliança
Pois a marca da promessa está sobre minha testa
Meus pés inchados doem de tanto caminhar
Mas vou ignorar, pois tenho lutas pra travar
Deixa sangrar, pois a força que está em mim já pode suportar.
REFRÃO
As dores do mundo, já posso suportar
As guerras e aflições, já posso suportar
Pela força que em mim está
Já posso suportar, já posso suportar.
O maior dos espíritos habita em mim
Eu sou a casa que Ele escolheu para morar
Por causa disso, já posso suportar
No final de tudo eu vou poder dizer
Que lutei o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé
Hei de terminar minha batalha em pé
Um dia desses que eu não sei ao certo qual é
Isso acontecerá, até lá não deixarei de acreditar
Que maior é o que está em mim do que o que está no mundo
Sendo assim enfrento tudo
Tornou-se limpo o imundo, o excluído agora é aceitável
Fortaleceu-se o frágil.
Inimaginável
É o que ainda se reserva pros que crêem
Maravilhas e vitórias dignas de um rei
Então buscarei, quantas vitórias eu puder e Lhe dedicarei
Por Teu intermédio é que as obtive
Mesmo nos dias de crise, dias infelizes
ACAMPAMENTO
acampamento
Acampamento Romano
O acampamento do exército romano servia durante as campanhas, ou quando estacionado num local, como guarnição para muitos meses e até anos.
O mesmo plano básico de construção foi desenvolvido por engenheiros militares romanos para alcançar a eficiência, servindo tanto para acampamento do exército móvel como para fortificação de fronteira permanente.
O quartel central da legião situava-se no centro do recinto.
As duas ruas principais da fortificação cruzavam-se junto da tenda ou edifico central. Estas ruas, em qualquer acampamento romano, chamavam-se Via Principia e Via Praetoria.
Cada soldado sabia qual o seu trabalho e funções durante a montagem e permanência no Acampamento Como no caso de Beja, o exército romano escava uma vala ao redor da área exterior do campo criando um amontoado de terra no lado interior do recinto do acampamento.
Por vezes existia outra dupla vala já na área interior. A muralha feita com material retirado das escavações das valas era coberta com troncos afiados para fazer um muro de paliçada.
Outros soldados criam o centro do acampamento, montam tendas, latrinas escavadas, colhiam alimentos e madeira, entre outra grande variedade de tarefas necessárias para tornar o organizado acampamento romano uma estrutura facilmente defendida.
Cada campo militar funcionava como uma cidade em miniatura. Em todo o mundo romano, estes campos foram construídos em grande escala sempre sobre a mesma planta.
«Estrutura de Acampamento Romano semelhante ao de Beja em Dobrudja – Cobadin, Roménia
enviado por Cristian Olariu (Universidade de Bucareste)»
*
Os edifícios ou barracas seriam posicionados na mesma parte do campo, e até mesmo as ruas tinham os mesmos nomes. Um soldado estacionado no posto avançado na Grã-Bretanha que fosse transferido com a sua unidade para o meio do deserto sírio poderia saber assim todos os locais e funções a desempenhar dentro do acampamento romana, dado que apenas a paisagem se alterava.
Acampamento Romano
O acampamento do exército romano servia durante as campanhas, ou quando estacionado num local, como guarnição para muitos meses e até anos.
O mesmo plano básico de construção foi desenvolvido por engenheiros militares romanos para alcançar a eficiência, servindo tanto para acampamento do exército móvel como para fortificação de fronteira permanente.
O quartel central da legião situava-se no centro do recinto.
As duas ruas principais da fortificação cruzavam-se junto da tenda ou edifico central. Estas ruas, em qualquer acampamento romano, chamavam-se Via Principia e Via Praetoria.
Cada soldado sabia qual o seu trabalho e funções durante a montagem e permanência no Acampamento Como no caso de Beja, o exército romano escava uma vala ao redor da área exterior do campo criando um amontoado de terra no lado interior do recinto do acampamento.
Por vezes existia outra dupla vala já na área interior. A muralha feita com material retirado das escavações das valas era coberta com troncos afiados para fazer um muro de paliçada.
Outros soldados criam o centro do acampamento, montam tendas, latrinas escavadas, colhiam alimentos e madeira, entre outra grande variedade de tarefas necessárias para tornar o organizado acampamento romano uma estrutura facilmente defendida.
Cada campo militar funcionava como uma cidade em miniatura. Em todo o mundo romano, estes campos foram construídos em grande escala sempre sobre a mesma planta.
«Estrutura de Acampamento Romano semelhante ao de Beja em Dobrudja – Cobadin, Roménia
enviado por Cristian Olariu (Universidade de Bucareste)»
*
Os edifícios ou barracas seriam posicionados na mesma parte do campo, e até mesmo as ruas tinham os mesmos nomes. Um soldado estacionado no posto avançado na Grã-Bretanha que fosse transferido com a sua unidade para o meio do deserto sírio poderia saber assim todos os locais e funções a desempenhar dentro do acampamento romana, dado que apenas a paisagem se alterava.
Russia
Russia no sec 15
A Antiga Rússia
Ver artigos principais: Cítia, Reino do Bósforo e Cazares.
Hipótese Kurgan.
Antes do século I, as terras vastas do Sul da Rússia pertenciam a tribos que não eram unidas entre si, como os Proto-Indo-Europeus e os Citas.[17] Entre os séculos III e VI, as estepes foram esmagadas por ondas sucessivas de invasões de bárbaros e povos nómadas, conduzidas por tribos bélicas como os hunos, entre outros. Por volta do século VIII os cazares governaram o Sul da Rússia. Foram aliados importantes do Império Bizantino e originaram uma série de guerras sangrentas contra os califados árabes. Entre os séculos X e XI, o principado de Kiev (a partir do qual se formaram grande parte dos países eslavos actuais) era o maior da Europa e um dos mais prósperos, devido ao comércio diversificado tanto com a Europa como com a Ásia.[18] Durante o século XI e XII, a incursão constante de tribos turcas nómadas, como os cumanos e os pechenegues, levou à migração maciça das populações eslavas do Sul às regiões pesadamente arborizadas do norte, conhecidas como Zalesye.[18]Nessa era, o termo Rhos ou Rus passaram a ser aplicados aos eslavos que dominavam a região.
Os estados medievais da República de Novgorod e Vladimir-Súzdal emergiram como sucessores do antigo e grande principado de Kiev naqueles territórios, enquanto que metade do rio Volga veio a ser dominada pelo estado muçulmano do Volga, a Bulgária. Em muitas outras partes da Euroásia os territórios foram atravessados pelos invasores mongóis, que formaram o estado da "Horda de Ouro", e pilharam os principados russos durante mais de três séculos. Depois, os tártaros governaram os territórios do Sul e do centro da Rússia actual, enquanto os territórios da Ucrânia actual e da Bielorrússia foram incorporados no Grão-Ducado da Lituânia da Polónia, dividindo assim a população russa.
[editar] Moscóvia
Ver artigo principal: Moscóvia
Veja também: Principado de Kiev
Localização do Grão-Ducado de Moscovo.
É sob o comando de Moscovo que Moscóvia (também conhecida como Principado de Moscovo ou Grão-Ducado de Moscovo) reanima-se e organiza a sua própria guerra da reconquista, voltando a anexar os seus territórios. Depois da queda de Constantinopla em 1453, Moscóvia permaneceu como o único estado cristão mais ou menos funcional na fronteira oriental da Europa, permitindo reclamar a sucessão do Império Romano Oriental.[19] No começo do século XVI, o principado decide que o objectivo nacional seria recuperar todos os territórios russos perdidos durante a invasão dos Tártaros e proteger a região fronteiriça do Sul contra contra-ataques dos Tártaros da Crimeia e dos Turcos. Os nobres foram obrigados a servir nas forças militares para esta reconquista.
No século XVI, Ivan, o Terrível, foi oficialmente coroado o primeiro czar da Rússia, em 1547. Durante o seu reinado, Ivan IV reconquista os territórios aos tártaros e cria uma Rússia multi-cultural e multi-religiosa. No fim do século, Ivan consegue criar as primeiras sementes na Sibéria. Ivan também será lembrado pelas atrocidades cometidas durante sua época.
As barreiras criadas pelos muçulmanos na zona da Turquia e do médio-oriente fizeram que as especiarias oriundas da Índia destinadas para a Europa passassem pela zona norte-este da Europa: Moscóvia. O principiado soube aproveitar esta tendência e criou grandes rotas comerciais entre a Índia, a Moscóvia e, por fim, a Europa.
Porém, as novas vias comerciais marítimas com o Oriente abertas pelos portugueses durante os Descobrimentos, contribuíram para o declínio da riqueza que então viera a ser gerada através dessas rotas comerciais.
[editar] A Rússia Imperial
Ver artigo principal: Império Russo
Czar Pedro I da Rússia com quem começou a grande era imperial na Rússia.
É com a Dinastia Romanov (iniciada em 1613) que se inicia o grande processo de "imperialização" da Rússia. Pedro, o Grande ou Pedro I da Rússia, derrotou a Suécia e na Grande Guerra do Norte forçando o inimigo a ceder partes do seu território. E é na Íngria que se forma uma nova capital: São Petersburgo (nome em homenagem a Pedro).
Com as ideias do Oeste Europeu, Pedro I faz evoluir a Rússia que antes se encontrara numa situação de pobreza extrema e prepara o caminho para o auge do país.
O território do império aumenta e, em 1648, o líder cossaco Semyon Dezhnyov descobre o estreito que separa a América da Ásia: o actual Estreito de Bering.[20] Nasce assim o maior império da história da Rússia.
A czarina Catarina, a Grande continuou o trabalho de Pedro, derrotando a Polónia e anexando a Bielorrússia e a Ucrânia - outrora o principado de Kiev. Catarina assina um acordo com o reino da Geórgia de modo a evitar invasões do império turco - a Geórgia passa a ser protegida militarmente pela Rússia.
Mapa do Império Russo em 1866 e de sua áreas de influência.
Em 1812, a grande armada de Napoleão entra em Moscovo, mas vê-se forçada a abandoná-la pois ao chegar a esta cidade, esta estava vazia. Os russos tinham preparado uma armadilha contra o imperador francês. O frio e a falta de recursos foram responsáveis pela morte de 95% das tropas francesas.[21] Durante o regresso de Napoleão a Paris, os russos perseguiram-no e dominaram Paris trazendo para o império as ideias liberais que estavam em marcha na França e na Europa Ocidental. Ainda devido à perseguição sobre Napoleão, a Rússia conquista a Finlândia e a Polónia. O golpe final sobre Napoleão foi dado em 1813 quando o império e os seus aliados - os austro-húngaros e os prussianos - venceram a armada de Napoleão na batalha de Leipzig.[20]
Sucessivas guerras e conflitos vão acompanhando a Rússia até ao fim da era czarista. Sai derrotada na Guerra da Crimeia que durou entre 1853 e 1856. Mais tarde, vence a Guerra Russo-Turca (1877-1878) e obriga o Império Otomano a reconhecer a independência da Roménia, da antiga Sérvia e a autonomia da Bulgária.[20]
A ascensão de Nicolau I (1825-1855) trava o desenvolvimento da Rússia nos fins do século XIX. A lei da servidão obrigava os camponeses a lavrar as terras sem poder as possuir. O sucessor, Alexandre II (1855-1881), ao ver o atraso da Rússia em relação à Europa, cria reformas que vão fazer com que a Rússia consiga um maior desenvolvimento. Porém, as sucessivas derrotas da Rússia ao longo do século XIX e durante a o início do século XX levaram à instabilidade e ao descrédito em relação ao poder do czar na época. Os custos da guerra começavam a avultados e a população era quem suportava os custos dos soldados nas campanhas ao enviarem tudo o que produziam nos seus terrenos agrícolas.
[editar] Revolução de 1917 e o fim da era czarista
Ver artigo principal: Revolução Russa de 1917
O Domingo Sangrento, episódio que ocorreu durante a Revolução de 1905 e que iniciou a queda do regime imperial na Rússia.
Apesar da Rússia, na época, ser um dos países mais poderosos do mundo em termos militares, apenas uma fina parte da população (os nobres) tinham boas condições de vida. Os camponeses eram terrivelmente pobres e trabalhavam de sol-a-sol os seus terrenos sem poder possuí-los. As sucessivas derrotas em várias guerras e batalhas durante a Primeira Guerra Mundial e o descontentamento geral da população fizeram com que a economia interna começasse a deteriorar-se.[20] A instabilidade e a pobreza tiveram como consequência a Revolução Bolchevique. Esta revolução ocorreu em duas datas significativas, 1905 e 1917.
A Revolta de 1905 é considerada como o marco inicial das mudanças sociais que culminaram com a Revolução de 1917. O desempenho desastroso das forças armadas russas na Guerra Russo-japonesa (1904 - 1905) intensificou essas contradições e precipitou os acontecimentos, sendo essa derrota considerada como causa imediata da Revolução de 1905, cujo estopim foi o episódio conhecido como "Domingo Sangrento".
A impopularidade crescente de Nicolau II fez com que este fosse obrigado a convocar a Duma, na época, uma espécie rudimentar de legislativo. Estas medidas surtiram escasso efeito, visto que os partidos eram sistematicamente vigiados e a Duma era controlada pela aristocracia e pelo czar, que podia dissolvê-la a qualquer momento. Até 1905, o sistema político da Rússia czarista não possuía partidos políticos, com todo o poder concentrado nas mãos do imperador. Destaca-se que estas mudanças, embora significativas sob o ponto de vista político, não alteravam o quadro social da maior parte da população russa. Nesta ocasião, emergem com força os Sovietes e o Partido Operário Social-Democrata Russo (fundado em 1898), dividido entre Mencheviques (análogo a minoria em Russo - меньшеви́к) e Bolcheviques (análogo a maioria em Russo - большеви́к)
Este quadro político-social foi profundamente alterado pela deflagração da Primeira Guerra Mundial.
Bolchevique por Boris Kustodiev, uma representação visual da Revolução Russa.
A Revolução de Fevereiro de 1917 caracterizou a primeira fase da Revolução Russa de 1917. A consequência imediata foi a abdicação do Czar Nicolau II. Ela ocorreu como resultado da insatisfação popular com a autocracia czarista e com a participação negativa do país na Primeira Guerra Mundial. Ela levou a transferência de poder do Czar para um regime republicano, surgido da aliança entre liberais e socialistas que pretendiam conduzir reformas políticas.
As mudanças propostas pelos mencheviques (líderes da Revolução de Fevereiro) não modificaram o quadro social, pois o país continuava a sofrer forte perdas em função da participação na Guerra. A insatisfação social, aliada a atuação dos bolcheviques fez eclodir a Revolução de Outubro (Outubro no Calendário Juliano e Novembro no Calendário Gregoriano). O marco desta revolução foi a invasão do Palácio de Inverno (hoje o Museu do Hermitage) pelos revolucionários. A Revolução de Outubro foi liderada por Vladimir Lenin e se tornou a primeira revolução comunista marxista do século XX.
A retirada da Rússia da Primeira Guerra Mundial, o desejo da volta do poder da então elite russa e o medo de que o ideário comunista propaga-se para a Europa e eventualmente para o mundo, fez eclodir a Guerra Civil Russa, que contou com a participação de diversas nações. O então primeiro-ministro francês, George Clemenceau, criou a expressão Cordão Sanitário, com o intuito de isolar a Rússia bolchevique do restante do mundo. O idealismo dos bolchevique propagado para a população mais pobre foi o fator decisivo para a vitória dos partidários de Lenin.
Com a vitória bolchevique na Guerra Civil Russa, foi fundada, em 1922, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
[editar] União Soviética
Ver artigos principais: União Soviética e República Socialista Federativa Soviética da Rússia.
Os símbolos da era soviética: o Monumento à III Internacional e a escultura gigante Operário e Mulher Kolkosiana.
Em 1917, na sequência da Revolução Russa, é introduzido pela primeira vez em todo o mundo um regime de aspecto marxista (socialista revolucionário), tendente ao estabelecimento de um dito Estado socialista. Durante mais de 80 anos, a Rússia esteve submetida a esse regime, que erradicou o capitalismo e repartiu o antigo Império Russo em Repúblicas Socialistas Soviéticas, as quais formaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) a partir de 1922. A Rússia tornou-se então numa destas repúblicas (como República Socialista Federada Soviética da Rússia, ou RSFSR), detendo uma posição hegemônica em função da sua história, língua (oficial em toda a União Soviética, a par das línguas regionais) e capital (a capital da Rússia era também a da União Soviética).
Vladimir Ilitch Lenin torna-se o primeiro líder comunista da URSS. Introduziu regras que eram contraditórias à sua filosofia. Enquanto que apoiava o "Tudo pertence ao Estado", criou políticas que apoiavam a iniciativa privada de modo a reconstruir o país que fora devastado pelas sucessivas revoluções.
Após a morte de Lenin, em 1924, surge um georgiano chamado Josef Stalin, que passa do comunismo livre ao comunismo autoritário criando um poder ditatorial. Aliás, todos aqueles que apoiavam Lenin como, por exemplo, Leon Trótski e todos os outros bolcheviques que viviam antes da Revolução de 1917 foram mortos. No fim dos anos 1930, Stalin lança o Grande Expurgo liquidando grande parte dos membros do Partido Comunista sem qualquer explicação. Todos aqueles que eram considerados ameaças eram mortos ou enviados para campos de concentração chamados gulag na Sibéria.
Dois anos mais tarde, Stalin obriga o país a passar por uma industrialização rápida. Em 1928, põe em marcha o seu plano dos cinco anos que consistia na modernização da economia soviética através, sobretudo, da introdução da indústria pesada. Rapidamente, a indústria soviética atinge grandes proporções de riqueza em pouco tempo, tornando-se uma grande potência mundial. Paradoxalmente e com a lei das colectivizações em marcha, o povo vivia na pobreza extrema.
Além do mais, as consequências políticas de Stalin provocaram grandes ondas de fome que assolaram as repúblicas, principalmente na Ucrânia onde esta foi designada como o Holodomor.
Máxima extensão territorial dos países sob influência soviética após a Revolução Cubana de 1959 e antes da ruptura sino-soviética de 1961.
Na Segunda Guerra Mundial, Stalin vence as tropas alemãs com terríveis baixas: pelo menos nove milhões de soldados perderam a vida. Daí a Segunda Guerra Mundial ser conhecida em russo também como A Grande Guerra Patriótica. No total, a URSS perdeu cerca entre 25 e 27 milhões de pessoas, sendo aproximadamente 10 milhões de soldados e o restante civis, a maior parte mortos durante a invasão e ocupação alemã. Algumas das maiores batalhas terrestres da II Guerra Mundial foram travadas dentro do território soviético, contra os exércitos nazistas, destacando-se o simbolismo adquirido pela cidade de Estalingrado reconhecida pelo heroísmo da luta contra as tropas invasoras, no que ficou conhecido como a grande "Batalha de Stalingrado". Grande parte do prestígio adquirido por Stálin (enquanto ainda vivo) deveu-se à guerra contra a Alemanha nazista na II Guerra Mundial.
A partir de 1945, a URSS mantem tropas ocupando a Polónia (massacrada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial) e a parte oriental da Alemanha, criando a República Democrática da Alemanha (RDA).
A URSS passa a ter supremacia em quase toda a Europa de Leste. Nestes países, foram mantidos governos pró-URSS durante toda a Guerra Fria, quando são criadas várias barreiras entre os países pró-URSS e pró-EUA, algumas ideológicas como a Cortina de Ferro e outras físicas, como o Muro de Berlim em torno de Berlim Ocidental, na RDA.
Stalin morre em 1953 e pensa-se que não deixou nenhum nome para lhe suceder no poder. A sua sucessão fora controversa. Os políticos mais próximos decidiram governar juntos a URSS, mas o chefe da polícia secreta (NKVD) Lavrenty Beria decidiu tomar o poder sem consentimento dos outros políticos. O general Nikita Khrushchev juntamente com alguns políticos juntaram-se e detiveram Beria. Este viria a ser executado no mesmo ano. Khrushchev é então considerado o sucessor oficial de Stalin.
Iuri Gagarin, o primeiro humano a viajar pelo espaço.
Nikita Sergueivich Khrushchev lança a URSS na aventura espacial. Iuri Gagárin foi a personagem principal do programa espacial soviético criado por Khrushchev ao ser o primeiro ser humano lançado para o espaço e por realizar uma órbita completa à volta da Terra em 1961.
É também criada a KGB, a polícia secreta que vigiava a população em todo o domínio da URSS bem como fora dela. Khrushchev vai a ser a primeira pessoa a tentar um relacionamento com os EUA e com a China. Mas em vez de um diálogo entre as duas super-potências, uma guerra psicológica começara: a Guerra Fria. A nível interno, Khrushchev começa a efectuar reformas para as agriculturas mas muito delas nem sequer eram executadas. Foi demitido em 1964 por tentar um relacionamento com os EUA e ser considerado perigoso para a URSS.
Sucede-lhe, após um governo conturbado do ponto de vista comunista, Leonid Brejnev (1906-1982, em russo Леонид Ильич Брежнев), cujo governo foi muito controverso. Alguns historiadores pensam que ele foi responsável por uma estagnação da economia; outros pensam que Brejnev, embora tivesse carácter ditactorial, fora uma lufada de ar fresco para as populações que viviam na miséria.
A estação espacial Mir.
Em seu governo, aproveitou-se das grandes reservas de petróleo e da crise que atingiu o setor, criou um conforto material para todo o povo soviético, ao mesmo tempo modelando a Rússia em uma potência militar, econômica e esportiva, atingindo o ápice socialista durante a Guerra Fria, enquanto criara uma distensão jamais vista, o que durante a Guerra Fria era um sinal da paz mundial. Exemplos dessa política foram as alianças com a Alemanha Oriental, Iugoslávia e ao mesmo tempo com a China, e distensões com países capitalistas, como a França, Japão e os Estados Unidos, além da criação da estação espacial Mir, o que levou ao acoplamento e união científica das naves Apollo e Soyuz, que até hoje fazem missões unidas. Por outro lado, forçava os países comunistas do leste a se subordinarem a Moscou, pois caso se separassem, o comunismo nunca seria alcançado. Anos depois, Gorbachov iria permitir que cada país seguisse seu caminho, e tal atitude se resumiria ao fim do estado socialista em toda a Europa. Brejnev também expulsou dissidentes, entre eles Alexander Soljenítsin, seu desafeto de longa data, apoiado por Khrushchov, e permitiu a emigração de judeus para Israel. Sua época é lembrada com saudade pelos russos, como período de conforto material e de grandes glórias e vitórias que se assemelhou em parte ao regime Stalinista. Por sua vez, teve de intervir em Praga, Tchecoslováquia, e invadir o Afeganistão, além da Guerra do Vietnã do Norte ao qual ele apoiava. Criou a Doutrina Brejnev e morreu em 1982, quando se iniciaram os breves governos de Yuri Andropov e Konstantin Chernenko, ambos seguidores das políticas de Brejnev: busca da hegemonia soviética e repressão a movimentos anti-comunistas.
A morte de Konstantin Chernenko representa o início dos suspiros finais da União Soviética, Mikhail Sergueievitch Gorbatchev começa a abertura da Rússia para o mundo através de dois programas: glasnost ("abertura") e perestroika ("reestruturação"), de modo a modernizar a economia russa com a abertura das fronteiras para os investidores estrangeiros. A glasnost tinha o significado de liberdade de expressão, que fora ignorada durante todo o império soviético; já a perestroika consisitia na reestruturação económica da URSS pois esta gastava muito dinheiro em armamento e defesa.
[editar] Federação Russa
Ver artigo principal: História da Federação Russa
Moscow International Business Center em construção. Moscou é a cidade mais cara do mundo para expatriados.[22]
Boris Yeltsin foi eleito Presidente da Rússia em junho de 1991, na primeira eleição direta presidencial na história russa. Durante e após a desintegração soviética, amplas reformas, incluindo a privatização, mercados e a liberalização comercial, estavam sendo realizadas,[23] incluindo mudanças radicais ao longo das linhas de "terapia de choque", como recomendado pelos Estados Unidos e pelo Fundo Monetário Internacional.[24] Tudo isso resultou em uma grave crise econômica, caracterizada pela queda de 50% do PIB e da produção industrial entre 1990-1995.[23][25]
A privatização, em grande parte, deslocou o controle de empresas dos órgãos estatais para indivíduos com ligações dentro do sistema de governo. Muitos dos empresários "novos-ricos" levaram bilhões em dinheiro e ativos para fora do país em uma enorme fuga de capitais.[26] A depressão do Estado e da economia levou ao colapso dos serviços sociais; a taxa de natalidade despencou, enquanto a taxa de mortalidade disparou. Milhões de pessoas mergulharam na pobreza; saindo de um nível de 1,5% de pobreza no final da era soviética, para 39-49% em meados de 1993.[27] A década de 1990 assistiu ao surgimento da corrupção extrema e da ilegalidade, dando origem às quadrilhas criminosas e aos crimes violentos.[28]
Nos anos 1990 foram expostos os conflitos armados na região da Ciscaucásia (Cáucaso do Norte), tanto os conflitos étnicos locais, quanto as insurreições de separatistas islâmicos. Depois que os separatistas chechenos declararam independência no começo dos anos 1990, uma guerra de guerrilha intermitente foi travada entre os grupos rebeldes e as forças militares russas. Ataques terroristas contra civis foram realizados por separatistas, sendo os mais relevantes a crise dos reféns do teatro de Moscou e o cerco à escola de Beslan, que causaram centenas de mortos e chamaram a atenção do mundo inteiro.
A Rússia assumiu a responsabilidade pela liquidação das dívidas externas da URSS, apesar de sua população ser apenas metade da população do Estado Soviético na altura da sua dissolução.[29] Elevados défices orçamentais provocados pela crise financeira da Rússia em 1998[30] resultaram em um declínio ainda maior do PIB.[23]
Em 31 de dezembro de 1999, o Presidente Ieltsin renunciou, entregando o posto para o recém-nomeado primeiro-ministro, Vladimir Putin, que depois ganhou a eleição presidencial de 2000. Putin suprimiu a rebelião chechena, embora a violência esporádica ainda ocorresse em todo o Cáucaso do Norte. A alta dos preços do petróleo e uma moeda inicialmente fraca, seguido do aumento da demanda interna, consumo e investimentos, tem ajudado a economia a crescer por nove anos consecutivos, melhorando a qualidade de vida e aumentando a influência da Rússia na cena mundial.[31] Apesar das muitas reformas feitas durante a presidência de Putin, seu governo foi criticado pelas nações ocidentais como sendo uma liderança não-democrática.[32] Putin retomou a ordem, a estabilidade e o progresso e ganhou grande popularidade na Rússia.[33]
Em 2 de março de 2008, Dmitry Medvedev foi eleito Presidente da Rússia, enquanto Putin se tornou primeiro-ministro.
[editar] Geografia
Ver artigo principal: Geografia da Rússia
Mapa topográfico da Rússia.
A Rússia faz fronteira com catorze países (seguindo o sentido contrário dos ponteiros do relógio a partir do ponto mais a norte): a Noruega (167 km), a Finlândia (1313 km), a Estónia, a Letónia (294 km), a Bielorrússia (959 km), a Lituânia (227 km através do exclave de Kaliningrado), a Polónia (206 km através do exclave de Kaliningrado), a Ucrânia (1576 km), a Geórgia (723 km), o Azerbaijão (284 km), o Cazaquistão (6846 km), a China (3645 km), a Mongólia (3441 km) e a Coreia do Norte (19 km) totalizando 19533 (em 37.653[1]) quilómetros de fronteiras terrestes.
O país também está próximo dos Estados Unidos da América (estado do Alasca), Suécia e Japão, dos quais se separam por trechos de mar relativamente curtos (o estreito de Bering, o mar Báltico e o estreito de La Pérouse, respectivamente).
Faz parte ainda do território russo, além da porção metropolitana continental, o exclave de Kaliningrado, na zona do mar Báltico, e uma série de ilhas e arquipélagos árcticos, entre os quais os mais importantes são a Terra de Francisco José, as ilhas da Nova Zembla, a ilha de Kolguev, o arquipélago da Terra do Norte, as ilhas da Nova Sibéria e a ilha de Wrangel. Inclui também várias ilhas e arquipélagos no Extremo Oriente, em particular a ilha Sacalina, as ilhas Curilas e as Ilhas Comandante.
Monte Elbrus, o ponto mais alto da Rússia e de toda a Europa.
O relevo é variado: dominam planícies e vales em 3/4 do território. As planícies do Leste-Europeu e da Oeste-Siberiana, divididas pelos montes Urais, são as maiores do planeta. O ponto mais elevado é o monte Elbrus, com uma altitude de 5633 metros, que é também o ponto mais alto da Europa.[1]
Apesar da grande área que a Rússia possui, apenas 18% do território é coberto de água. Contam-se 120 000 rios, dos quais se destacam o Volga, o Don, o Ienissei, o Lena, o Ob, o Dniepre e o Neva.
Os lagos apresentam-se de formas irregulares e estão, normalmente, no meio de um curso de um rio. O território russo compreende o lago Ladoga, que é o maior da Europa, o lago Baikal, o lago Onega, entre outros.
A Rússia possui a maior bacia hidrográfica da Ásia, denominada de Bacia do Obi com 2 975 000 m².[34]
Cerca de 37 000 km de costa delimitam a Rússia dos oceanos Árctico e Pacífico e também do mar Negro e do Cáspio, sem esquecer a zona dos Bálcãs. Os oceanos representam uma importante fonte de riqueza para o país: o petróleo e o peixe são produtos obtidos naquelas zonas.
[editar] Clima
Os planaltos da Sibéria ocidental, em Oblast de Tomsk.
A Rússia domina quase metade da Europa e um terço da Ásia. Este factor faz com a Rússia possua vários climas diferentes. A temperatura média anual é de 5,5 graus centígrados.
A região mais a norte do país, chamada Sibéria, é a mais fria de todo o país. Registam-se temperaturas no inverno da ordem dos 40 aos 50 graus celsius negativos, às vezes chegando aos 60 graus negativos ou até menos. A Sul, o clima é mais quente, havendo campos e estepes onde as temperaturas chegam aos 8 graus negativos.
O Verão na Rússia também é variável de região a região registando-se temperaturas médias de 25 °C. Em certos casos extremos, já houve dias em que se registassem temperaturas superiores a 45 °C.
O frio proveniente da Sibéria alastra-se não só por toda a Rússia como por quase toda a totalidade da Europa e grande parte da Ásia.
A Rússia é atravessada por quatro climas, ártico, subártico, temperado e subtropical. A ordem das estações pode ser classificada assim: Inverno longo e nevoso - Primavera temperada - Verão curto e quente - Outono chuvoso e varia muito ao longo do território russo[1]
Na zona central da Rússia encontram-se as florestas mais claras, mistas, dominadas por bétulas, álamos, carvalhos. As florestas das zonas centrais estão divididas por estepes. A maior parte de estepes é lavrada e semeada por trigo, centeio, milho, girassol, etc.
[editar] Demografia
Ver artigo principal: Demografia da Rússia
Composição étnica (2002)[35]
Russos 79,8%
Tártaros 3,8%
Ucranianos 2,0%
Bashkires 1,2%
Chuvashes 1,1%
Chechenos 0,9%
Armênios 0,8%
Outros 10,4%
O grupo étnico russo compõe 79,8% da população do país, no entanto a Federação Russa é também o lar de diversas consideráveis minorias. No total, 160 outros grupos étnicos e povos indígenas vivem dentro de suas fronteiras.[36] Embora a população russa seja comparativamente grande, sua densidade é baixa devido ao enorme tamanho do país. A população é mais densa na Rússia Europeia, perto dos Montes Urais e no sudoeste da Sibéria. 73% da população vive em áreas urbanas, enquanto 27% nas áreas rurais.[37] A população total é de 141.927.297 habitantes, de acordo com dados de 1 de janeiro de 2010.[2]
A população russa chegou a 148.689.000 em 1991, pouco antes da dissolução da União Soviética. Ela começou a experimentar um rápido declínio a partir de meados dos anos 1990.[38] O declínio desacelerou para a quase estagnação nos últimos anos devido à redução das taxas de mortalidade, o aumento das taxas de natalidade e o aumento da imigração.[39]
Em 2009 a Rússia registrou um crescimento da população pela primeira vez em 15 anos, com crescimento total de 10,5 mil.[39] 279.906 migrantes chegaram à Federação da Rússia no mesmo ano, dos quais 93% vieram de países da Comunidade dos Estados Independentes (CEI).[39] O número de emigrantes russos declinou de 359.000 em 2000 para 32.000 em 2009.[39] Há também uma estimativa de 10 milhões de imigrantes ilegais das ex-repúblicas soviéticas vivendo na Rússia.[40] Cerca de 116 milhões de russos étnicos vivem na Rússia[36] e cerca de 20 milhões moram em outras repúblicas da antiga União Soviética,[41] principalmente na Ucrânia e no Cazaquistão.[42]
População (em milhões - 1950–1991) da RSFS da Rússia na URSS - População da Federação Russa (1991 - 1 de janeiro de 2010).
A Constituição da Rússia garante cuidados de saúde livres e universais para todos os cidadãos.[43] Na prática, porém, os cuidados de saúde gratuitos são parcialmente restritos, devido ao regime propiska.[44] Embora a Rússia tenha mais médicos, hospitais e profissionais de saúde per capita que quase qualquer outro país do mundo,[45] desde o colapso da União Soviética, a saúde da população russa diminuiu consideravelmente, como resultado das mudanças sociais, econômicas e de estilo de vida;[46] a tendência foi revertida apenas nos últimos anos, com o aumento da expectativa de vida média de 2,4 anos para os homens e 1,4 anos para as mulheres entre 2006-09.[39]
Em 2009, a expectativa média de vida na Rússia foi 62,77 anos para os homens e 74,67 anos para as mulheres.[47] O maior fator que contribui para a expectativa de vida relativamente baixa do sexo masculino é uma alta taxa de mortalidade entre os homens em idade de trabalho por causas evitáveis (por exemplo, intoxicação por álcool, tabagismo, acidentes de trânsito e crimes violentos).[39] Como resultado da grande diferença de gênero na expectativa de vida e por causa do efeito duradouro do grande número de vítimas na Segunda Guerra Mundial, o desequilíbrio entre os sexos permanece até hoje e há 0,859 homens para cada mulher.[31]
A taxa de natalidade da Rússia é maior do que a da maioria dos países europeus (12,4 nascimentos por 1000 pessoas em 2008[39] em comparação com a média da União Europeia, de 9,90 por 1000),[48] enquanto a taxa de mortalidade é substancialmente mais elevada (em 2009, a taxa de mortalidade da Rússia foi de 14,2 por 1000 pessoas[39] em comparação com a média de 10,28 por 1000 na UE).[49] No entanto, o Ministério da Saúde e Assuntos Sociais da Rússia prevê que, em 2011, o índice de mortes será igual à taxa de natalidade devido ao aumento da fertilidade e da queda na mortalidade.[50] O governo está a implementar uma série de programas destinados a aumentar a taxa de natalidade e para atrair mais imigrantes. Pagamentos de auxílio mensal para crianças foram duplicados para US$ 55 e um pagamento único de US$ 9.200 foi oferecido às mulheres que tiveram uma segunda criança em 2007.[51] Em 2009, a Rússia registrou a taxa de natalidade mais elevada desde o colapso da URSS.[52][39]
A Antiga Rússia
Ver artigos principais: Cítia, Reino do Bósforo e Cazares.
Hipótese Kurgan.
Antes do século I, as terras vastas do Sul da Rússia pertenciam a tribos que não eram unidas entre si, como os Proto-Indo-Europeus e os Citas.[17] Entre os séculos III e VI, as estepes foram esmagadas por ondas sucessivas de invasões de bárbaros e povos nómadas, conduzidas por tribos bélicas como os hunos, entre outros. Por volta do século VIII os cazares governaram o Sul da Rússia. Foram aliados importantes do Império Bizantino e originaram uma série de guerras sangrentas contra os califados árabes. Entre os séculos X e XI, o principado de Kiev (a partir do qual se formaram grande parte dos países eslavos actuais) era o maior da Europa e um dos mais prósperos, devido ao comércio diversificado tanto com a Europa como com a Ásia.[18] Durante o século XI e XII, a incursão constante de tribos turcas nómadas, como os cumanos e os pechenegues, levou à migração maciça das populações eslavas do Sul às regiões pesadamente arborizadas do norte, conhecidas como Zalesye.[18]Nessa era, o termo Rhos ou Rus passaram a ser aplicados aos eslavos que dominavam a região.
Os estados medievais da República de Novgorod e Vladimir-Súzdal emergiram como sucessores do antigo e grande principado de Kiev naqueles territórios, enquanto que metade do rio Volga veio a ser dominada pelo estado muçulmano do Volga, a Bulgária. Em muitas outras partes da Euroásia os territórios foram atravessados pelos invasores mongóis, que formaram o estado da "Horda de Ouro", e pilharam os principados russos durante mais de três séculos. Depois, os tártaros governaram os territórios do Sul e do centro da Rússia actual, enquanto os territórios da Ucrânia actual e da Bielorrússia foram incorporados no Grão-Ducado da Lituânia da Polónia, dividindo assim a população russa.
[editar] Moscóvia
Ver artigo principal: Moscóvia
Veja também: Principado de Kiev
Localização do Grão-Ducado de Moscovo.
É sob o comando de Moscovo que Moscóvia (também conhecida como Principado de Moscovo ou Grão-Ducado de Moscovo) reanima-se e organiza a sua própria guerra da reconquista, voltando a anexar os seus territórios. Depois da queda de Constantinopla em 1453, Moscóvia permaneceu como o único estado cristão mais ou menos funcional na fronteira oriental da Europa, permitindo reclamar a sucessão do Império Romano Oriental.[19] No começo do século XVI, o principado decide que o objectivo nacional seria recuperar todos os territórios russos perdidos durante a invasão dos Tártaros e proteger a região fronteiriça do Sul contra contra-ataques dos Tártaros da Crimeia e dos Turcos. Os nobres foram obrigados a servir nas forças militares para esta reconquista.
No século XVI, Ivan, o Terrível, foi oficialmente coroado o primeiro czar da Rússia, em 1547. Durante o seu reinado, Ivan IV reconquista os territórios aos tártaros e cria uma Rússia multi-cultural e multi-religiosa. No fim do século, Ivan consegue criar as primeiras sementes na Sibéria. Ivan também será lembrado pelas atrocidades cometidas durante sua época.
As barreiras criadas pelos muçulmanos na zona da Turquia e do médio-oriente fizeram que as especiarias oriundas da Índia destinadas para a Europa passassem pela zona norte-este da Europa: Moscóvia. O principiado soube aproveitar esta tendência e criou grandes rotas comerciais entre a Índia, a Moscóvia e, por fim, a Europa.
Porém, as novas vias comerciais marítimas com o Oriente abertas pelos portugueses durante os Descobrimentos, contribuíram para o declínio da riqueza que então viera a ser gerada através dessas rotas comerciais.
[editar] A Rússia Imperial
Ver artigo principal: Império Russo
Czar Pedro I da Rússia com quem começou a grande era imperial na Rússia.
É com a Dinastia Romanov (iniciada em 1613) que se inicia o grande processo de "imperialização" da Rússia. Pedro, o Grande ou Pedro I da Rússia, derrotou a Suécia e na Grande Guerra do Norte forçando o inimigo a ceder partes do seu território. E é na Íngria que se forma uma nova capital: São Petersburgo (nome em homenagem a Pedro).
Com as ideias do Oeste Europeu, Pedro I faz evoluir a Rússia que antes se encontrara numa situação de pobreza extrema e prepara o caminho para o auge do país.
O território do império aumenta e, em 1648, o líder cossaco Semyon Dezhnyov descobre o estreito que separa a América da Ásia: o actual Estreito de Bering.[20] Nasce assim o maior império da história da Rússia.
A czarina Catarina, a Grande continuou o trabalho de Pedro, derrotando a Polónia e anexando a Bielorrússia e a Ucrânia - outrora o principado de Kiev. Catarina assina um acordo com o reino da Geórgia de modo a evitar invasões do império turco - a Geórgia passa a ser protegida militarmente pela Rússia.
Mapa do Império Russo em 1866 e de sua áreas de influência.
Em 1812, a grande armada de Napoleão entra em Moscovo, mas vê-se forçada a abandoná-la pois ao chegar a esta cidade, esta estava vazia. Os russos tinham preparado uma armadilha contra o imperador francês. O frio e a falta de recursos foram responsáveis pela morte de 95% das tropas francesas.[21] Durante o regresso de Napoleão a Paris, os russos perseguiram-no e dominaram Paris trazendo para o império as ideias liberais que estavam em marcha na França e na Europa Ocidental. Ainda devido à perseguição sobre Napoleão, a Rússia conquista a Finlândia e a Polónia. O golpe final sobre Napoleão foi dado em 1813 quando o império e os seus aliados - os austro-húngaros e os prussianos - venceram a armada de Napoleão na batalha de Leipzig.[20]
Sucessivas guerras e conflitos vão acompanhando a Rússia até ao fim da era czarista. Sai derrotada na Guerra da Crimeia que durou entre 1853 e 1856. Mais tarde, vence a Guerra Russo-Turca (1877-1878) e obriga o Império Otomano a reconhecer a independência da Roménia, da antiga Sérvia e a autonomia da Bulgária.[20]
A ascensão de Nicolau I (1825-1855) trava o desenvolvimento da Rússia nos fins do século XIX. A lei da servidão obrigava os camponeses a lavrar as terras sem poder as possuir. O sucessor, Alexandre II (1855-1881), ao ver o atraso da Rússia em relação à Europa, cria reformas que vão fazer com que a Rússia consiga um maior desenvolvimento. Porém, as sucessivas derrotas da Rússia ao longo do século XIX e durante a o início do século XX levaram à instabilidade e ao descrédito em relação ao poder do czar na época. Os custos da guerra começavam a avultados e a população era quem suportava os custos dos soldados nas campanhas ao enviarem tudo o que produziam nos seus terrenos agrícolas.
[editar] Revolução de 1917 e o fim da era czarista
Ver artigo principal: Revolução Russa de 1917
O Domingo Sangrento, episódio que ocorreu durante a Revolução de 1905 e que iniciou a queda do regime imperial na Rússia.
Apesar da Rússia, na época, ser um dos países mais poderosos do mundo em termos militares, apenas uma fina parte da população (os nobres) tinham boas condições de vida. Os camponeses eram terrivelmente pobres e trabalhavam de sol-a-sol os seus terrenos sem poder possuí-los. As sucessivas derrotas em várias guerras e batalhas durante a Primeira Guerra Mundial e o descontentamento geral da população fizeram com que a economia interna começasse a deteriorar-se.[20] A instabilidade e a pobreza tiveram como consequência a Revolução Bolchevique. Esta revolução ocorreu em duas datas significativas, 1905 e 1917.
A Revolta de 1905 é considerada como o marco inicial das mudanças sociais que culminaram com a Revolução de 1917. O desempenho desastroso das forças armadas russas na Guerra Russo-japonesa (1904 - 1905) intensificou essas contradições e precipitou os acontecimentos, sendo essa derrota considerada como causa imediata da Revolução de 1905, cujo estopim foi o episódio conhecido como "Domingo Sangrento".
A impopularidade crescente de Nicolau II fez com que este fosse obrigado a convocar a Duma, na época, uma espécie rudimentar de legislativo. Estas medidas surtiram escasso efeito, visto que os partidos eram sistematicamente vigiados e a Duma era controlada pela aristocracia e pelo czar, que podia dissolvê-la a qualquer momento. Até 1905, o sistema político da Rússia czarista não possuía partidos políticos, com todo o poder concentrado nas mãos do imperador. Destaca-se que estas mudanças, embora significativas sob o ponto de vista político, não alteravam o quadro social da maior parte da população russa. Nesta ocasião, emergem com força os Sovietes e o Partido Operário Social-Democrata Russo (fundado em 1898), dividido entre Mencheviques (análogo a minoria em Russo - меньшеви́к) e Bolcheviques (análogo a maioria em Russo - большеви́к)
Este quadro político-social foi profundamente alterado pela deflagração da Primeira Guerra Mundial.
Bolchevique por Boris Kustodiev, uma representação visual da Revolução Russa.
A Revolução de Fevereiro de 1917 caracterizou a primeira fase da Revolução Russa de 1917. A consequência imediata foi a abdicação do Czar Nicolau II. Ela ocorreu como resultado da insatisfação popular com a autocracia czarista e com a participação negativa do país na Primeira Guerra Mundial. Ela levou a transferência de poder do Czar para um regime republicano, surgido da aliança entre liberais e socialistas que pretendiam conduzir reformas políticas.
As mudanças propostas pelos mencheviques (líderes da Revolução de Fevereiro) não modificaram o quadro social, pois o país continuava a sofrer forte perdas em função da participação na Guerra. A insatisfação social, aliada a atuação dos bolcheviques fez eclodir a Revolução de Outubro (Outubro no Calendário Juliano e Novembro no Calendário Gregoriano). O marco desta revolução foi a invasão do Palácio de Inverno (hoje o Museu do Hermitage) pelos revolucionários. A Revolução de Outubro foi liderada por Vladimir Lenin e se tornou a primeira revolução comunista marxista do século XX.
A retirada da Rússia da Primeira Guerra Mundial, o desejo da volta do poder da então elite russa e o medo de que o ideário comunista propaga-se para a Europa e eventualmente para o mundo, fez eclodir a Guerra Civil Russa, que contou com a participação de diversas nações. O então primeiro-ministro francês, George Clemenceau, criou a expressão Cordão Sanitário, com o intuito de isolar a Rússia bolchevique do restante do mundo. O idealismo dos bolchevique propagado para a população mais pobre foi o fator decisivo para a vitória dos partidários de Lenin.
Com a vitória bolchevique na Guerra Civil Russa, foi fundada, em 1922, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
[editar] União Soviética
Ver artigos principais: União Soviética e República Socialista Federativa Soviética da Rússia.
Os símbolos da era soviética: o Monumento à III Internacional e a escultura gigante Operário e Mulher Kolkosiana.
Em 1917, na sequência da Revolução Russa, é introduzido pela primeira vez em todo o mundo um regime de aspecto marxista (socialista revolucionário), tendente ao estabelecimento de um dito Estado socialista. Durante mais de 80 anos, a Rússia esteve submetida a esse regime, que erradicou o capitalismo e repartiu o antigo Império Russo em Repúblicas Socialistas Soviéticas, as quais formaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) a partir de 1922. A Rússia tornou-se então numa destas repúblicas (como República Socialista Federada Soviética da Rússia, ou RSFSR), detendo uma posição hegemônica em função da sua história, língua (oficial em toda a União Soviética, a par das línguas regionais) e capital (a capital da Rússia era também a da União Soviética).
Vladimir Ilitch Lenin torna-se o primeiro líder comunista da URSS. Introduziu regras que eram contraditórias à sua filosofia. Enquanto que apoiava o "Tudo pertence ao Estado", criou políticas que apoiavam a iniciativa privada de modo a reconstruir o país que fora devastado pelas sucessivas revoluções.
Após a morte de Lenin, em 1924, surge um georgiano chamado Josef Stalin, que passa do comunismo livre ao comunismo autoritário criando um poder ditatorial. Aliás, todos aqueles que apoiavam Lenin como, por exemplo, Leon Trótski e todos os outros bolcheviques que viviam antes da Revolução de 1917 foram mortos. No fim dos anos 1930, Stalin lança o Grande Expurgo liquidando grande parte dos membros do Partido Comunista sem qualquer explicação. Todos aqueles que eram considerados ameaças eram mortos ou enviados para campos de concentração chamados gulag na Sibéria.
Dois anos mais tarde, Stalin obriga o país a passar por uma industrialização rápida. Em 1928, põe em marcha o seu plano dos cinco anos que consistia na modernização da economia soviética através, sobretudo, da introdução da indústria pesada. Rapidamente, a indústria soviética atinge grandes proporções de riqueza em pouco tempo, tornando-se uma grande potência mundial. Paradoxalmente e com a lei das colectivizações em marcha, o povo vivia na pobreza extrema.
Além do mais, as consequências políticas de Stalin provocaram grandes ondas de fome que assolaram as repúblicas, principalmente na Ucrânia onde esta foi designada como o Holodomor.
Máxima extensão territorial dos países sob influência soviética após a Revolução Cubana de 1959 e antes da ruptura sino-soviética de 1961.
Na Segunda Guerra Mundial, Stalin vence as tropas alemãs com terríveis baixas: pelo menos nove milhões de soldados perderam a vida. Daí a Segunda Guerra Mundial ser conhecida em russo também como A Grande Guerra Patriótica. No total, a URSS perdeu cerca entre 25 e 27 milhões de pessoas, sendo aproximadamente 10 milhões de soldados e o restante civis, a maior parte mortos durante a invasão e ocupação alemã. Algumas das maiores batalhas terrestres da II Guerra Mundial foram travadas dentro do território soviético, contra os exércitos nazistas, destacando-se o simbolismo adquirido pela cidade de Estalingrado reconhecida pelo heroísmo da luta contra as tropas invasoras, no que ficou conhecido como a grande "Batalha de Stalingrado". Grande parte do prestígio adquirido por Stálin (enquanto ainda vivo) deveu-se à guerra contra a Alemanha nazista na II Guerra Mundial.
A partir de 1945, a URSS mantem tropas ocupando a Polónia (massacrada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial) e a parte oriental da Alemanha, criando a República Democrática da Alemanha (RDA).
A URSS passa a ter supremacia em quase toda a Europa de Leste. Nestes países, foram mantidos governos pró-URSS durante toda a Guerra Fria, quando são criadas várias barreiras entre os países pró-URSS e pró-EUA, algumas ideológicas como a Cortina de Ferro e outras físicas, como o Muro de Berlim em torno de Berlim Ocidental, na RDA.
Stalin morre em 1953 e pensa-se que não deixou nenhum nome para lhe suceder no poder. A sua sucessão fora controversa. Os políticos mais próximos decidiram governar juntos a URSS, mas o chefe da polícia secreta (NKVD) Lavrenty Beria decidiu tomar o poder sem consentimento dos outros políticos. O general Nikita Khrushchev juntamente com alguns políticos juntaram-se e detiveram Beria. Este viria a ser executado no mesmo ano. Khrushchev é então considerado o sucessor oficial de Stalin.
Iuri Gagarin, o primeiro humano a viajar pelo espaço.
Nikita Sergueivich Khrushchev lança a URSS na aventura espacial. Iuri Gagárin foi a personagem principal do programa espacial soviético criado por Khrushchev ao ser o primeiro ser humano lançado para o espaço e por realizar uma órbita completa à volta da Terra em 1961.
É também criada a KGB, a polícia secreta que vigiava a população em todo o domínio da URSS bem como fora dela. Khrushchev vai a ser a primeira pessoa a tentar um relacionamento com os EUA e com a China. Mas em vez de um diálogo entre as duas super-potências, uma guerra psicológica começara: a Guerra Fria. A nível interno, Khrushchev começa a efectuar reformas para as agriculturas mas muito delas nem sequer eram executadas. Foi demitido em 1964 por tentar um relacionamento com os EUA e ser considerado perigoso para a URSS.
Sucede-lhe, após um governo conturbado do ponto de vista comunista, Leonid Brejnev (1906-1982, em russo Леонид Ильич Брежнев), cujo governo foi muito controverso. Alguns historiadores pensam que ele foi responsável por uma estagnação da economia; outros pensam que Brejnev, embora tivesse carácter ditactorial, fora uma lufada de ar fresco para as populações que viviam na miséria.
A estação espacial Mir.
Em seu governo, aproveitou-se das grandes reservas de petróleo e da crise que atingiu o setor, criou um conforto material para todo o povo soviético, ao mesmo tempo modelando a Rússia em uma potência militar, econômica e esportiva, atingindo o ápice socialista durante a Guerra Fria, enquanto criara uma distensão jamais vista, o que durante a Guerra Fria era um sinal da paz mundial. Exemplos dessa política foram as alianças com a Alemanha Oriental, Iugoslávia e ao mesmo tempo com a China, e distensões com países capitalistas, como a França, Japão e os Estados Unidos, além da criação da estação espacial Mir, o que levou ao acoplamento e união científica das naves Apollo e Soyuz, que até hoje fazem missões unidas. Por outro lado, forçava os países comunistas do leste a se subordinarem a Moscou, pois caso se separassem, o comunismo nunca seria alcançado. Anos depois, Gorbachov iria permitir que cada país seguisse seu caminho, e tal atitude se resumiria ao fim do estado socialista em toda a Europa. Brejnev também expulsou dissidentes, entre eles Alexander Soljenítsin, seu desafeto de longa data, apoiado por Khrushchov, e permitiu a emigração de judeus para Israel. Sua época é lembrada com saudade pelos russos, como período de conforto material e de grandes glórias e vitórias que se assemelhou em parte ao regime Stalinista. Por sua vez, teve de intervir em Praga, Tchecoslováquia, e invadir o Afeganistão, além da Guerra do Vietnã do Norte ao qual ele apoiava. Criou a Doutrina Brejnev e morreu em 1982, quando se iniciaram os breves governos de Yuri Andropov e Konstantin Chernenko, ambos seguidores das políticas de Brejnev: busca da hegemonia soviética e repressão a movimentos anti-comunistas.
A morte de Konstantin Chernenko representa o início dos suspiros finais da União Soviética, Mikhail Sergueievitch Gorbatchev começa a abertura da Rússia para o mundo através de dois programas: glasnost ("abertura") e perestroika ("reestruturação"), de modo a modernizar a economia russa com a abertura das fronteiras para os investidores estrangeiros. A glasnost tinha o significado de liberdade de expressão, que fora ignorada durante todo o império soviético; já a perestroika consisitia na reestruturação económica da URSS pois esta gastava muito dinheiro em armamento e defesa.
[editar] Federação Russa
Ver artigo principal: História da Federação Russa
Moscow International Business Center em construção. Moscou é a cidade mais cara do mundo para expatriados.[22]
Boris Yeltsin foi eleito Presidente da Rússia em junho de 1991, na primeira eleição direta presidencial na história russa. Durante e após a desintegração soviética, amplas reformas, incluindo a privatização, mercados e a liberalização comercial, estavam sendo realizadas,[23] incluindo mudanças radicais ao longo das linhas de "terapia de choque", como recomendado pelos Estados Unidos e pelo Fundo Monetário Internacional.[24] Tudo isso resultou em uma grave crise econômica, caracterizada pela queda de 50% do PIB e da produção industrial entre 1990-1995.[23][25]
A privatização, em grande parte, deslocou o controle de empresas dos órgãos estatais para indivíduos com ligações dentro do sistema de governo. Muitos dos empresários "novos-ricos" levaram bilhões em dinheiro e ativos para fora do país em uma enorme fuga de capitais.[26] A depressão do Estado e da economia levou ao colapso dos serviços sociais; a taxa de natalidade despencou, enquanto a taxa de mortalidade disparou. Milhões de pessoas mergulharam na pobreza; saindo de um nível de 1,5% de pobreza no final da era soviética, para 39-49% em meados de 1993.[27] A década de 1990 assistiu ao surgimento da corrupção extrema e da ilegalidade, dando origem às quadrilhas criminosas e aos crimes violentos.[28]
Nos anos 1990 foram expostos os conflitos armados na região da Ciscaucásia (Cáucaso do Norte), tanto os conflitos étnicos locais, quanto as insurreições de separatistas islâmicos. Depois que os separatistas chechenos declararam independência no começo dos anos 1990, uma guerra de guerrilha intermitente foi travada entre os grupos rebeldes e as forças militares russas. Ataques terroristas contra civis foram realizados por separatistas, sendo os mais relevantes a crise dos reféns do teatro de Moscou e o cerco à escola de Beslan, que causaram centenas de mortos e chamaram a atenção do mundo inteiro.
A Rússia assumiu a responsabilidade pela liquidação das dívidas externas da URSS, apesar de sua população ser apenas metade da população do Estado Soviético na altura da sua dissolução.[29] Elevados défices orçamentais provocados pela crise financeira da Rússia em 1998[30] resultaram em um declínio ainda maior do PIB.[23]
Em 31 de dezembro de 1999, o Presidente Ieltsin renunciou, entregando o posto para o recém-nomeado primeiro-ministro, Vladimir Putin, que depois ganhou a eleição presidencial de 2000. Putin suprimiu a rebelião chechena, embora a violência esporádica ainda ocorresse em todo o Cáucaso do Norte. A alta dos preços do petróleo e uma moeda inicialmente fraca, seguido do aumento da demanda interna, consumo e investimentos, tem ajudado a economia a crescer por nove anos consecutivos, melhorando a qualidade de vida e aumentando a influência da Rússia na cena mundial.[31] Apesar das muitas reformas feitas durante a presidência de Putin, seu governo foi criticado pelas nações ocidentais como sendo uma liderança não-democrática.[32] Putin retomou a ordem, a estabilidade e o progresso e ganhou grande popularidade na Rússia.[33]
Em 2 de março de 2008, Dmitry Medvedev foi eleito Presidente da Rússia, enquanto Putin se tornou primeiro-ministro.
[editar] Geografia
Ver artigo principal: Geografia da Rússia
Mapa topográfico da Rússia.
A Rússia faz fronteira com catorze países (seguindo o sentido contrário dos ponteiros do relógio a partir do ponto mais a norte): a Noruega (167 km), a Finlândia (1313 km), a Estónia, a Letónia (294 km), a Bielorrússia (959 km), a Lituânia (227 km através do exclave de Kaliningrado), a Polónia (206 km através do exclave de Kaliningrado), a Ucrânia (1576 km), a Geórgia (723 km), o Azerbaijão (284 km), o Cazaquistão (6846 km), a China (3645 km), a Mongólia (3441 km) e a Coreia do Norte (19 km) totalizando 19533 (em 37.653[1]) quilómetros de fronteiras terrestes.
O país também está próximo dos Estados Unidos da América (estado do Alasca), Suécia e Japão, dos quais se separam por trechos de mar relativamente curtos (o estreito de Bering, o mar Báltico e o estreito de La Pérouse, respectivamente).
Faz parte ainda do território russo, além da porção metropolitana continental, o exclave de Kaliningrado, na zona do mar Báltico, e uma série de ilhas e arquipélagos árcticos, entre os quais os mais importantes são a Terra de Francisco José, as ilhas da Nova Zembla, a ilha de Kolguev, o arquipélago da Terra do Norte, as ilhas da Nova Sibéria e a ilha de Wrangel. Inclui também várias ilhas e arquipélagos no Extremo Oriente, em particular a ilha Sacalina, as ilhas Curilas e as Ilhas Comandante.
Monte Elbrus, o ponto mais alto da Rússia e de toda a Europa.
O relevo é variado: dominam planícies e vales em 3/4 do território. As planícies do Leste-Europeu e da Oeste-Siberiana, divididas pelos montes Urais, são as maiores do planeta. O ponto mais elevado é o monte Elbrus, com uma altitude de 5633 metros, que é também o ponto mais alto da Europa.[1]
Apesar da grande área que a Rússia possui, apenas 18% do território é coberto de água. Contam-se 120 000 rios, dos quais se destacam o Volga, o Don, o Ienissei, o Lena, o Ob, o Dniepre e o Neva.
Os lagos apresentam-se de formas irregulares e estão, normalmente, no meio de um curso de um rio. O território russo compreende o lago Ladoga, que é o maior da Europa, o lago Baikal, o lago Onega, entre outros.
A Rússia possui a maior bacia hidrográfica da Ásia, denominada de Bacia do Obi com 2 975 000 m².[34]
Cerca de 37 000 km de costa delimitam a Rússia dos oceanos Árctico e Pacífico e também do mar Negro e do Cáspio, sem esquecer a zona dos Bálcãs. Os oceanos representam uma importante fonte de riqueza para o país: o petróleo e o peixe são produtos obtidos naquelas zonas.
[editar] Clima
Os planaltos da Sibéria ocidental, em Oblast de Tomsk.
A Rússia domina quase metade da Europa e um terço da Ásia. Este factor faz com a Rússia possua vários climas diferentes. A temperatura média anual é de 5,5 graus centígrados.
A região mais a norte do país, chamada Sibéria, é a mais fria de todo o país. Registam-se temperaturas no inverno da ordem dos 40 aos 50 graus celsius negativos, às vezes chegando aos 60 graus negativos ou até menos. A Sul, o clima é mais quente, havendo campos e estepes onde as temperaturas chegam aos 8 graus negativos.
O Verão na Rússia também é variável de região a região registando-se temperaturas médias de 25 °C. Em certos casos extremos, já houve dias em que se registassem temperaturas superiores a 45 °C.
O frio proveniente da Sibéria alastra-se não só por toda a Rússia como por quase toda a totalidade da Europa e grande parte da Ásia.
A Rússia é atravessada por quatro climas, ártico, subártico, temperado e subtropical. A ordem das estações pode ser classificada assim: Inverno longo e nevoso - Primavera temperada - Verão curto e quente - Outono chuvoso e varia muito ao longo do território russo[1]
Na zona central da Rússia encontram-se as florestas mais claras, mistas, dominadas por bétulas, álamos, carvalhos. As florestas das zonas centrais estão divididas por estepes. A maior parte de estepes é lavrada e semeada por trigo, centeio, milho, girassol, etc.
[editar] Demografia
Ver artigo principal: Demografia da Rússia
Composição étnica (2002)[35]
Russos 79,8%
Tártaros 3,8%
Ucranianos 2,0%
Bashkires 1,2%
Chuvashes 1,1%
Chechenos 0,9%
Armênios 0,8%
Outros 10,4%
O grupo étnico russo compõe 79,8% da população do país, no entanto a Federação Russa é também o lar de diversas consideráveis minorias. No total, 160 outros grupos étnicos e povos indígenas vivem dentro de suas fronteiras.[36] Embora a população russa seja comparativamente grande, sua densidade é baixa devido ao enorme tamanho do país. A população é mais densa na Rússia Europeia, perto dos Montes Urais e no sudoeste da Sibéria. 73% da população vive em áreas urbanas, enquanto 27% nas áreas rurais.[37] A população total é de 141.927.297 habitantes, de acordo com dados de 1 de janeiro de 2010.[2]
A população russa chegou a 148.689.000 em 1991, pouco antes da dissolução da União Soviética. Ela começou a experimentar um rápido declínio a partir de meados dos anos 1990.[38] O declínio desacelerou para a quase estagnação nos últimos anos devido à redução das taxas de mortalidade, o aumento das taxas de natalidade e o aumento da imigração.[39]
Em 2009 a Rússia registrou um crescimento da população pela primeira vez em 15 anos, com crescimento total de 10,5 mil.[39] 279.906 migrantes chegaram à Federação da Rússia no mesmo ano, dos quais 93% vieram de países da Comunidade dos Estados Independentes (CEI).[39] O número de emigrantes russos declinou de 359.000 em 2000 para 32.000 em 2009.[39] Há também uma estimativa de 10 milhões de imigrantes ilegais das ex-repúblicas soviéticas vivendo na Rússia.[40] Cerca de 116 milhões de russos étnicos vivem na Rússia[36] e cerca de 20 milhões moram em outras repúblicas da antiga União Soviética,[41] principalmente na Ucrânia e no Cazaquistão.[42]
População (em milhões - 1950–1991) da RSFS da Rússia na URSS - População da Federação Russa (1991 - 1 de janeiro de 2010).
A Constituição da Rússia garante cuidados de saúde livres e universais para todos os cidadãos.[43] Na prática, porém, os cuidados de saúde gratuitos são parcialmente restritos, devido ao regime propiska.[44] Embora a Rússia tenha mais médicos, hospitais e profissionais de saúde per capita que quase qualquer outro país do mundo,[45] desde o colapso da União Soviética, a saúde da população russa diminuiu consideravelmente, como resultado das mudanças sociais, econômicas e de estilo de vida;[46] a tendência foi revertida apenas nos últimos anos, com o aumento da expectativa de vida média de 2,4 anos para os homens e 1,4 anos para as mulheres entre 2006-09.[39]
Em 2009, a expectativa média de vida na Rússia foi 62,77 anos para os homens e 74,67 anos para as mulheres.[47] O maior fator que contribui para a expectativa de vida relativamente baixa do sexo masculino é uma alta taxa de mortalidade entre os homens em idade de trabalho por causas evitáveis (por exemplo, intoxicação por álcool, tabagismo, acidentes de trânsito e crimes violentos).[39] Como resultado da grande diferença de gênero na expectativa de vida e por causa do efeito duradouro do grande número de vítimas na Segunda Guerra Mundial, o desequilíbrio entre os sexos permanece até hoje e há 0,859 homens para cada mulher.[31]
A taxa de natalidade da Rússia é maior do que a da maioria dos países europeus (12,4 nascimentos por 1000 pessoas em 2008[39] em comparação com a média da União Europeia, de 9,90 por 1000),[48] enquanto a taxa de mortalidade é substancialmente mais elevada (em 2009, a taxa de mortalidade da Rússia foi de 14,2 por 1000 pessoas[39] em comparação com a média de 10,28 por 1000 na UE).[49] No entanto, o Ministério da Saúde e Assuntos Sociais da Rússia prevê que, em 2011, o índice de mortes será igual à taxa de natalidade devido ao aumento da fertilidade e da queda na mortalidade.[50] O governo está a implementar uma série de programas destinados a aumentar a taxa de natalidade e para atrair mais imigrantes. Pagamentos de auxílio mensal para crianças foram duplicados para US$ 55 e um pagamento único de US$ 9.200 foi oferecido às mulheres que tiveram uma segunda criança em 2007.[51] Em 2009, a Rússia registrou a taxa de natalidade mais elevada desde o colapso da URSS.[52][39]
Veneza
cidade de veneza
Governo
Nos primeiros anos da república, o sistema político pode ser classificado como uma autocracia, com o Doge como o governante absoluto. Em 1223, as famílias aristocráticas de Rialto drasticamente diminuíram os poderes do Doge, estabelecendo um conselho consultivo que seria depois chamado Quarantia (quarenta) e um supremo tribunal que seria depois chamado Signoria. Eles também criaram dois corpos chamados sapientes que seriam depois seis corpos. A combinação dos sapientes e outros grupos seria chamado de collegio, uma espécie de ministério encarregado das questões de governo. Um senado, chamado de Consiglio dei Pregadi foi organizado em 1229 com sessenta membros eleitos pelo Conselho Maior. Durante este período o Doge tinha pouco poder real, e a autoridade era na verdade exercida pelo Grande Conselho de Veneza, um corpo parlamentar extremamente limitado onde podiam participar apenas membros das grandes famílias aristocráticas da república. Veneza proclamava que seu governo era uma clássica república, porque era uma fusão das três formas presentes num governo misto: com o poder supremo no Doge, o aristocrático no senado, e o democrático no Grande Conselho.
Em 1335, um "Conselho dos Dez" foi estabelecido e tornou-se tão poderoso e secreto que por volta de 1600 seus poderes tiveram que ser delimitados. Seus poderes variaram, ao longo do tempo, da subordinação ao Grande Conselho à dominação sobre ele.
Uma lei de 1539 instituiu os "Inquisitores do Estado", mais tarde conhecidos como o Supremo Tribunal. Havia três Inquisitores, um conhecido popularmente como Il Rosso, ("o vermelho"), que era escolhida entre os Conselheiros do Doge, que usava roupas escarlate, e dois do Conselho dos Dez, que usavam roupas negras, conhecidos como I negri ("os negros"). Eles se tornaram um corpo de segurança, nos tempos difíceis quando Veneza começou a sentir-se cercada pelos Habsburgos, e gradualmente assumiu os poderes do Conselho dos Dez.. Por meio de espionagem, contra-espionagem e vigilância interna, eles faziam uso de uma rede de informantes e confidentes.
Em 1556 conselhos chamados provveditori ai beni inculti foram também criados para melhorar a agricultura pelo acréscimo da área sob cultivo e encorajando investimento privado na agricultura. O consistente aumento de preços no preço dos grãos durante o século XVI encorajou a transferência de capital do comércio para a terra
A Sereníssima República de Veneza (em vêneto: Serenìsima Repùblica Vèneta e em italiano Serenissima Repubblica di Venezia) foi um Estado no nordeste da Itália, com capital na cidade de Veneza. Existiu do século IX ao século XVIII (1797). É muitas vezes referida apenas como a Sereníssima.
Não há um consenso quanto à data da fundação da república. São consideradas as seguintes datas:
697 - quando os venezianos elegeram o primeiro chefe (dux, depois Doge) autonomamente do Império Bizantino.
810 - quando o ducado, já quase independente, muda sua capital de Eraclea para Veneza.
Governo
Nos primeiros anos da república, o sistema político pode ser classificado como uma autocracia, com o Doge como o governante absoluto. Em 1223, as famílias aristocráticas de Rialto drasticamente diminuíram os poderes do Doge, estabelecendo um conselho consultivo que seria depois chamado Quarantia (quarenta) e um supremo tribunal que seria depois chamado Signoria. Eles também criaram dois corpos chamados sapientes que seriam depois seis corpos. A combinação dos sapientes e outros grupos seria chamado de collegio, uma espécie de ministério encarregado das questões de governo. Um senado, chamado de Consiglio dei Pregadi foi organizado em 1229 com sessenta membros eleitos pelo Conselho Maior. Durante este período o Doge tinha pouco poder real, e a autoridade era na verdade exercida pelo Grande Conselho de Veneza, um corpo parlamentar extremamente limitado onde podiam participar apenas membros das grandes famílias aristocráticas da república. Veneza proclamava que seu governo era uma clássica república, porque era uma fusão das três formas presentes num governo misto: com o poder supremo no Doge, o aristocrático no senado, e o democrático no Grande Conselho.
Em 1335, um "Conselho dos Dez" foi estabelecido e tornou-se tão poderoso e secreto que por volta de 1600 seus poderes tiveram que ser delimitados. Seus poderes variaram, ao longo do tempo, da subordinação ao Grande Conselho à dominação sobre ele.
Uma lei de 1539 instituiu os "Inquisitores do Estado", mais tarde conhecidos como o Supremo Tribunal. Havia três Inquisitores, um conhecido popularmente como Il Rosso, ("o vermelho"), que era escolhida entre os Conselheiros do Doge, que usava roupas escarlate, e dois do Conselho dos Dez, que usavam roupas negras, conhecidos como I negri ("os negros"). Eles se tornaram um corpo de segurança, nos tempos difíceis quando Veneza começou a sentir-se cercada pelos Habsburgos, e gradualmente assumiu os poderes do Conselho dos Dez.. Por meio de espionagem, contra-espionagem e vigilância interna, eles faziam uso de uma rede de informantes e confidentes.
Em 1556 conselhos chamados provveditori ai beni inculti foram também criados para melhorar a agricultura pelo acréscimo da área sob cultivo e encorajando investimento privado na agricultura. O consistente aumento de preços no preço dos grãos durante o século XVI encorajou a transferência de capital do comércio para a terra
A Sereníssima República de Veneza (em vêneto: Serenìsima Repùblica Vèneta e em italiano Serenissima Repubblica di Venezia) foi um Estado no nordeste da Itália, com capital na cidade de Veneza. Existiu do século IX ao século XVIII (1797). É muitas vezes referida apenas como a Sereníssima.
Não há um consenso quanto à data da fundação da república. São consideradas as seguintes datas:
697 - quando os venezianos elegeram o primeiro chefe (dux, depois Doge) autonomamente do Império Bizantino.
810 - quando o ducado, já quase independente, muda sua capital de Eraclea para Veneza.
Inglaterra
Inglaterra sec 15
O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA MERCANTIL INGLESA
Durante a época feudal, a população da Inglaterra vivia em maior parte no campo, em comunidades locais que produziam lãs e víveres para o próprio consumo. As terras eram cultivadas visando o sustento familiar e passavam de pais para filhos. Os camponeses exploravam seus lotes dispersos em faixas pelas propriedades senhoriais, num sistema denominado "campos abertos: Eles utilizavam também as terras comuns" dos domínios para a pastagem do gado, a caça ou a obtenção madeira.
Gradualmente a partir do século XV, as aldeias começaram a modificar. Os gêneros agrícolas e as lãs nelas produzidos passaram ser vendidos em regiões mais afastadas, iniciando-se a formação de u: mercado nacional. A facilidade na obtenção da 19 favoreceu o desenvolvimento da indústria têxtil que se espalhou pelas aldeias através sistema doméstico de produção, fugindo às restrições impostas pelas corporações de ofício nas cidades.
À medida que o comércio da lã aumentava, os proprietários c terras iniciaram o cercamento de seus campos abertos (num processo denominado "enclousure" surgido no século XVI e que se estendeu até século XIX), expulsando os camponeses de seus lotes e acabando com os direitos tradicionais de utilização das "terras comuns" dos domínios Os enclousures tinham por objetivo favorecer a criação intensiva d carneiros para o fornecimento de lã em bruto e contou sempre com o apoio do Parlamento.
As regiões do sul e do leste da Inglaterra especializaram-se na produção de lã e de alimentos, cujos preços estavam em ascensão. A., terras se valorizaram, transformando-se numa mercadoria como outra qualquer podendo ser compradas, vendidas ou arrendadas, a critério de seu proprietário, 0 uso da moeda (Aumentado com a chegada do ouro e da prata da América) generalizou-se, substituindo o pagamento em espécie ou em trabalho entre camponeses e proprietários.
No século XVI, a Inglaterra tornou-se também um grande centro de extração de carvão e de produção de ferro, estanho, vidro, sabões e construção naval. Além da indústria têxtil, espalhada por burgos e aldeias do interior, surgiram empresas que utilizavam métodos novos para a extração do sal, o fabrico do papel, o refino do açúcar e a fundição do ferro e do cobre, A exploração das minas de carvão foi melhorada 1 com a utilização de bombas que permitiam o trabalho a grande profundidade.
Os lucros obtidos na produção e na exportação de mercadorias passaram - a ser investidos na compra de terras, ainda a principal riqueza e fonte de poder, por comerciantes, manufatureiros, traficantes e homens de negócios em geral. Surgiram assim os "agricultores capitalistas", um novo grupo de proprietários rurais, que investia seus ganhos na exploração comercial da terra.
0 desenvolvimento da economia mercantil dividiu os proprietários de terras e de riquezas em dois grupos antagônicos. De um lado, a alta nobreza formada pela antiga aristocracia dos "pares" do reino, que vivia das rendas fixas da terra e dos favores da corte e interessava-se em manter as práticas e os costumes feudais. De outro lado, consolidava-se a burguesia urbana e a "gentry" formada pela pequena burguesia independente e pelos novos agricultores capitalistas; esse grupo era partidário do cercamento dos campos e da liberdade de produção e de comercio.
A população rural também foi afetada pelo crescimento econômico. Havia os camponeses "yeomen" (pequenos e médios proprietários de terras) a os camponeses arrendatários que não eram donos dos lotes que cultivavam. A maioria dos yeomen que possuía propriedades de tamanho médio e produzia para o mercado, progrediu. Já os pequenos proprietários e os arrendatários com o início do cercamento dos campos, perderam suas terras e transformaram-se em assalariados ou desocupados.
Com a expulsão dos camponeses das terras cercadas, as revoltas tornaram-se freqüentes na Cornualha, no Devonshire e em Norfolk. 0 governo inglês tentou interferir, defendendo para os camponeses as 'Ire servas de terras de uso comum", para a pastagem do gado, mas não obteve êxito, visto que a iniciativa ia contra os interesses da gentry e dos camponeses proprietários (os yeomen), beneficiados pelos cercamentos que possuíam representantes no Parlamento.
0 desenvolvimento econômico e a generalização do uso da moeda trouxeram lucros para a burguesia urbana, a gentry e parte da yeo manry, grupos sociais que se dedicavam ao comércio e à produção, enquanto que a alta nobreza e grande parte dos camponeses viam seus rendimentos diminuírem ou perderem seu valor.
ABSOLUTISMO E MERCANTILISMO
Henrique VII (1485/1509) foi o iniciador da centralização política na Inglaterra, submetendo os nobres e subordinando as administrações locais ao seu controle. A centralização prosseguiu no reinado de Henrique VIII (1509/1547), facilitada pela criação, em 1534, da Igreja Anglicana, chefiada pelo monarca e separada da Igreja Católica Romana, após uma crise com o papa Clemente VII. As terras e as propriedades da Igreja Católica foram confiscadas pelo Estado e vendidas para a nobreza e para a burguesia.
Mesmo com o poder político fortalecido, os monarcas ingleses da dinastia Tudor -Henrique VII, Henrique VIII, Eduardo VI, Maria Tudor e Elisabeth 1 (1558/1603) - mantiveram um relacionamento razoável com o Parlamento, garantindo no país as tradições e as aparências de um governo representativo.
0 reinado de Elisabeth I foi um, período de grande crescimento econômico e correspondeu ao apogeu do absolutismo na Inglaterra.Seu governo praticou intensa intervenção na economia, através de medidas mercantilistas de favorecimento à% agricultura, às manufaturas, ao comércio e à navegação', Em 1581, um mercantilista inglês recomendava à rainha "acabar com a importação das mercadorias fabricadas no estrangeiro, e que poderiam sê-lo entre nós, restringindo a exportação de nossas lãs, peles e outros produtos no estado bruto, chamando artesãos de fora sob o controle das cidades, fabricando mercadorias suscetíveis de serem exportadas.
Elisabeth I proibiu a exportação de li em bruto e a importação de fios e de tecidos; distribuiu prêmios a que m fabricasse bons navios e concedeu monopólios temporários àqueles que introduzissem 'novas atividades no país, Os trabalhadores das manufaturas inglesas eram recrutados entre os camponeses expulsos do campo, transformados em desempregados e mendigos. Criaram-se leis que previam castigos e penas de morte aos que se recusassem a trabalhar. Surgiram as "Workhouses", onde os internos eram submetidos a uma longa jornada de trabalho, sob rígida disciplina.
Apesar de a rainha Elisabeth ter praticado intervenções militares nos Países-Baixos e na França, a inferioridade dos exércitos ingleses impediu qualquer ocupação territorial no continente europeu. 0 feito militar de maior vulto de seu reinado foi à anexação da Irlanda conseguida em uma guerra iniciada em 1595 e que durou nove anos. Por ser uma ilha, a Inglaterra não se sentia ameaçada de invasão, fato que desmilitarizou precocemente a sua nobreza. Por isso, não havia no e país um exército profissional permanente, semelhante aos existentes na Espanha e na França, as duas principais potências européias do século. XVI. Devido à presença, do Parlamento, a Coroa inglesa também não tinha autonomia financeira nem uma burocracia forte, como a França.
A grande realização do Estado absolutista inglês foi a modernização de sua marinha, iniciada por Henrique VIII, que quadruplicou o número de embarcações. A partir de 1579, os galeões da frota real passaram a ser equipados com canhões de longo alcance, fato que lhes permitia 'acertar os navios inimigos a uma grande distancia. Além de servirem ao comércio, os navios passaram a servir também à guerra, favorecendo a expansão marítima inglesa. Em 1588, os ingleses enfrentaram e venceram a "Invencível Armada" de Filipe II, aplicando um sério golpe no prestígio da Espanha, considerada então o mais poderoso país europeu. A partir daí, intensificaram-se as viagens de navegadores e decorsários à América, com o objetivo de saquear as embarcações espanholas carregadas de ouro e de empreender contrabando com as Antilhas.
EXPANSÃO MARÍTIMA E COLONIZAÇÃO
Com o crescimento do comércio e da navegação, foram fundadas as companhias inglesas de comércio, que reuniam capitais de acionistas e recebiam monopólios do Estado para a exploração de determinado produto ou de uma zona comercial, Foi o caso da Companhia da Turquia, da Companhia de Moscóvia, da Companhia da África, da Companhia das Índias Orientais (1600) e da Companhia da Virgínia (fundada em 1606 para a exploração da América Inglesa).
A ocupação efetiva de territórios da América do Norte pelos ingleses ocorreu a partir de 1607, quando foi fundada Jamestown, capital da Virgínia, no governo de Jaime I. A ação colonizadora foi facilitada pela existência de grande número de pessoas expulsas do campo pelos "enclousures" que se encaminhou para a América onde havia facilidade na obtenção de terras.
No decorrer do século XVII, o fluxo migratório contou com famílias burguesas e nobres que abandonaram a Inglaterra devido às perseguições religiosas ou políticas: eram os puritanos, os presbiterianos, os quakers, os católicos, etc. Até 1776, data de sua independência, existiam 13 colônias inglesas na América, fundadas por particulares por companhias de comércio ou pertencentes à Coroa.
Das colônias americanas chegavam a metrópole o tabaco, o índigo e o arroz (cultivados nas "plantations" escravistas do sul) e a batata, o milho, o centeio, a Levada e as peles de animais raros (produzidos nas colônias do centro e do norte), sendo proibido o intercâmbio direto com outros países, Entretanto, essas proibições não eram muito respeitadas e logo se desenvolveram ativas trocas entre as colônias do norte (região denominada Nova Inglaterra), as Antilhas e a África. Esse comércio triangular fortaleceu a burguesia colonial e trouxe-lhe grandes lucros.
As cidades inglesas de Líverpool e Bristol destacaram-se como portos ligados ao tráfico de escravos para a América, devido à necessidade crescente de mão-de-obra nas plantações e nas minas das colônias inglesas, portuguesas e espanholas. 0 escambo de negros na África era feito com mercadorias como têxteis e utensílios de ferro. Estima - se que, durante os 300 anos do tráfico de escravos, 15 milhões de negros foram introduzidos na América, sendo o Brasil o principal comprador, ocasionando a maior migração forçada de um continente para outro que o mundo conheceu. Os lucros acumulados pela Inglaterra com essa atividade levaram muitos historiadores a considerarem-na uma das causas favoráveis ao início da revolução industrial inglesa, em meados do século XVIII.
0 progresso econômico verificado nos séculos XVI e XVII enriqueceu a burguesia e os proprietários rurais que produziam para o mercado. Porém, entrou em choque com o sistema político vigente, baseado em leis e instituições ainda predominante feudais devido à influência da nobreza conservadora, fortemente representada na Câmara dos Lords. As mudanças vieram com a Revolução Inglesa de 1640/1660, da qual saírem vitoriosas as classes progressistas, que passaram a dominar o Parlamento inglês, favorecendo o livre desenvolvimento das forças capitalistas.
O Reino Unido é uma monarquia constitucional com Rainha Elizabeth II como chefe de Estado; o monarca do Reino Unido também atua como chefe de Estado de outros quinze países da Commonwealth, colocando o Reino Unido em uma união pessoal com aqueles outros países. A Coroa tem soberania sobre a Ilha de Man e os Bailiados de Jersey e Guernsey. Em conjunto, estes três territórios são conhecidos como as dependências da Coroa, terras pertencentes ao monarca britânico, mas que não fazem parte do Reino Unido. Elas também não fazem parte da União Européia. No entanto, o Parlamento do Reino Unido tem autoridade para legislar sobre as dependências, e o governo britânico cuida das relações exteriores e da defesa das dependências.
O Reino Unido tem um governo parlamentar baseado em fortes tradições: o Sistema de Westminster, foi copiado em todo o mundo - um legado do Império Britânico. A Constituição do Reino Unido governa o quadro jurídico do país, e é composto principalmente de fontes escritas, incluindo estatutos, jurisprudência, e tratados internacionais. Como não existe diferença técnica entre estatutos comuns e leis, considerados "Direito Constitucional", o Parlamento britânico pode executar "reformas constitucionais" simplesmente pela aprovação de Atos parlamentares e, portanto, tem o poder para alterar ou abolir quase qualquer elemento escrito ou não-escrito da Constituição. No entanto, o Parlamento não pode aprovar leis que os futuros parlamentares não possam mudar.[91] O Reino Unido é um dos três países no mundo de hoje que não tem uma Constituição codificada (sendo os outros dois a Nova Zelândia e Israel ).[92]
A posição de Primeiro-ministro, chefe de governo do Reino Unido, pertence ao membro do Parlamento que consegue a confiança da maioria na Câmara dos Comuns, normalmente o actual líder do partido político com maior representação nessa câmara. O Primeiro-Ministro e o Gabinete são formalmente nomeados pelo monarca para formar o Governo de Sua Majestade. Entretanto o Primeiro-ministro é quem escolhe o Gabinete, e por convenção, a Rainha respeita a escolha do Primeiro-Ministro. O Gabinete é tradicionalmente formado por membros do partido do Primeiro-Ministro nas duas casas legislativas, mas principalmente da Câmara dos Comuns. O poder executivo é exercido pelo Primeiro-Ministro e seu Gabinete, os quais são empossados no Mais Honorável Conselho Privado de Sua Majestade, e tornam-se Ministros da Coroa. Gordon Brown, líder do Partido Trabalhista, foi o Primeiro-Ministro, Primeiro Lorde do Tesouro e Ministro do Serviço Público a partir de 27 de Junho de 2007. No entanto, após as eleições de 2010, Brown renunciou no dia 11 de maio de 2010. A decisão foi tomada na medida em que convervadores e liberais-democratas se aproximam de um acordo para formar um novo governo. A saída de Brown encerra um ciclo de 13 anos de governos trabalhistas no Reino Unido, iniciado quando Tony Blair derrotou o conservador John Major em 1997. Na terça-feira, dia 11 de maio de 2010, a rainha Elizabeth II encarrega David Cameron como novo primeiro-ministro inglês para formação de um governo.[93]
O Palácio de Westminster.
O Parlamento do Reino Unido, que reúne-se no Palácio de Westminster é a autoridade legislativa máxima no Reino Unido. Ele é constituído por duas câmaras: uma Câmara dos Comuns, eletiva, e uma Câmara dos Lordes, nomeada, e qualquer projeto de lei aprovado exige o parecer favorável da Rainha para tornar-se lei. O parlamento devolvido na Escócia e as assembléias devolvidas na Irlanda do Norte, e País de Gales foram criadas após a aprovação pública, expressa através de referendos, mas estas não são entidades soberanas e podem ainda serem suprimidas pelo parlamento britânico.
Nas eleições para a Câmara dos Comuns, o Reino Unido está atualmente dividido em 646 círculos eleitorais, com 529 na Inglaterra, 18 na Irlanda do Norte, 59 na Escócia e 40 no País de Gales, embora este número aumente para 650 nas próximas eleições gerais. Cada círculo eleitoral elege um membro do Parlamento por pluralidade simples. As eleições gerais são convocadas pelo monarca quando o Primeiro-Ministro assim aconselhar-lhe. Embora não haja um tempo mínimo para um Parlamento, uma nova eleição deve ser convocada no prazo de cinco anos após a ùltima eleição geral. Para as eleições do Parlamento Europeu, o Reino Unido tem 78 deputados, eleitos através de 12 círculos eleitorais pelo método de múltiplos vencedores. As questões sobre soberania têm sido apresentadas devido à adesão do Reino Unido à União Européia.[94]
Os três maiores partidos políticos britânicos são: o Partido Trabalhista, o Partido Conservador, e os Liberais Democratas, conquistando entre eles 616 dos 646 lugares disponíveis na Câmara dos Comuns, nas Eleições Gerais de 2005. A maior parte dos lugares restantes foram ganhos por partidos que disputam as eleições em apenas uma parte do Reino Unido, tais como o Partido Nacional Escocês (apenas na Escócia), Plaid Cymru (apenas no País de Gales), e os Partido Unionista Democrático, Partido Trabalhista e Social Democrático, Partido Unionista do Ulster, e Sinn Féin (só na Irlanda do Norte, apesar de o Sinn Féin também disputar as eleições na Irlanda). De acordo com a política do partido, nenhum membro do Sinn Féin eleito para o Parlamento jamais foi à Câmara dos Comuns para discursar na Câmara em nome dos seus eleitores, porque os deputados do Parlamento são obrigados a fazer um juramento de fidelidade à rainha. No entanto, os atuais cinco deputados do Sinn Féin têm, desde 2002, usado os escritórios e outras instalações disponíveis em Westminster.[95]
O Reino Unido é uma união[9][10] de quatro nações constituintes: Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales. O Reino Unido é governado por um sistema parlamentar com a sede do governo em Londres, a capital, e é uma monarquia constitucional com a rainha Isabel II sendo a chefe de Estado. As dependências da Coroa das Ilhas do Canal (ou Ilhas Anglo-Normandas) e a Ilha de Man, formalmente possessões da Coroa, não fazem parte do Reino Unido, mas formam uma confederação com ele.[11] O Reino Unido tem quatorze territórios ultramarinos,[12] todos remanescentes do Império Britânico, que no seu ápice, possuía quase um quarto da superfície terrestre mundial, fazendo desse o maior império da história. Como resultado do império, a influência britânica pode ser vista na língua, cultura e sistemas judiciários de muitas de suas ex-colônias como o Canadá, Austrália, Índia e os Estados Unidos. A rainha Elizabeth II permanece como a chefe da Comunidade das Nações (Commonwealth) e chefe de Estado de cada uma das monarquias na Commonwealth.
O Reino Unido é um país desenvolvido, com a sexta (PIB nominal) ou sétima (PPP) maior economia do mundo. Ele foi o primeiro país industrializado do mundo[13] e a principal potência mundial durante o século XIX e o começo do século XX,[14] mas o custo económico de duas guerras mundiais e o declínio de seu império na segunda metade do século XX reduziu o seu papel de líder nos assuntos globais. O Reino Unido, no entanto, permaneceu sendo uma potência importante com forte influência económica, cultural, militar e política e é uma potência nuclear, com o segundo ou terceiro (dependendo do método de cálculo) maior gasto em defesa do mundo. É um Estado membro da União Europeia, tem um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, e é membro do G8, OTAN, OMC e da comunidade das nações
O liberalismo de Adam Smith
Adam Smith.
As novidades da Revolução Industrial trouxeram muitas dúvidas. O pensador escocês Adam Smith procurou responder racionalmente às perguntas da época. Seu livro A Riqueza das Nações (1776) é considerado uma das obras fundadoras da ciência econômica. Ele dizia que o individualismo é útil para a sociedade. Seu raciocínio era este: quando uma pessoa busca o melhor para si, toda a sociedade é beneficiada. Exemplo: quando uma cozinheira prepara uma deliciosa carne assada, você saberia explicar quais os motivos dela? Será porque ama o seu patrão e quer vê-lo feliz ou porque está pensando, em primeiro lugar, nela mesma ou no pagamento que receberá no final do mês? De qualquer maneira, se a cozinheira pensa no salário dela, seu individualismo será benéfico para ela e para seu patrão. E por que um açougueiro vende uma carne muito boa para uma pessoa que nunca viu antes? Porque deseja que ela se alimente bem ou porque está olhando para o lucro que terá com futuras vendas? Graças ao individualismo dele o freguês pode comprar boa carne. Do mesmo jeito, os trabalhadores pensam neles mesmos. Trabalham bem para poder garantir seu salário e emprego.
Portanto, é correto afirmar que os capitalistas só pensam em seus lucros. Mas, para lucrar, têm que vender produtos bons e baratos. O que, no fim, é ótimo para a sociedade.
Então, já que o individualismo é bom para toda a sociedade, o ideal seria que as pessoas pudessem atender livremente a seus interesses individuais. E, para Adam Smith, o Estado é quem atrapalhava a liberdade dos indivíduos. Para o autor escocês, "o Estado deveria intervir o mínimo possível sobre a economia". Se as forças do mercado agissem livremente, a economia poderia crescer com vigor. Desse modo, cada empresário faria o que bem entendesse com seu capital, sem ter de obedecer a nenhum regulamento criado pelo governo. Os investimentos e o comércio seriam totalmente liberados. Sem a intervenção do Estado, o mercado funcionaria automaticamente, como se houvesse uma "mão invisível" ajeitando tudo. Ou seja, o capitalismo e a liberdade individual promoveria o progresso de forma harmoniosa.
O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA MERCANTIL INGLESA
Durante a época feudal, a população da Inglaterra vivia em maior parte no campo, em comunidades locais que produziam lãs e víveres para o próprio consumo. As terras eram cultivadas visando o sustento familiar e passavam de pais para filhos. Os camponeses exploravam seus lotes dispersos em faixas pelas propriedades senhoriais, num sistema denominado "campos abertos: Eles utilizavam também as terras comuns" dos domínios para a pastagem do gado, a caça ou a obtenção madeira.
Gradualmente a partir do século XV, as aldeias começaram a modificar. Os gêneros agrícolas e as lãs nelas produzidos passaram ser vendidos em regiões mais afastadas, iniciando-se a formação de u: mercado nacional. A facilidade na obtenção da 19 favoreceu o desenvolvimento da indústria têxtil que se espalhou pelas aldeias através sistema doméstico de produção, fugindo às restrições impostas pelas corporações de ofício nas cidades.
À medida que o comércio da lã aumentava, os proprietários c terras iniciaram o cercamento de seus campos abertos (num processo denominado "enclousure" surgido no século XVI e que se estendeu até século XIX), expulsando os camponeses de seus lotes e acabando com os direitos tradicionais de utilização das "terras comuns" dos domínios Os enclousures tinham por objetivo favorecer a criação intensiva d carneiros para o fornecimento de lã em bruto e contou sempre com o apoio do Parlamento.
As regiões do sul e do leste da Inglaterra especializaram-se na produção de lã e de alimentos, cujos preços estavam em ascensão. A., terras se valorizaram, transformando-se numa mercadoria como outra qualquer podendo ser compradas, vendidas ou arrendadas, a critério de seu proprietário, 0 uso da moeda (Aumentado com a chegada do ouro e da prata da América) generalizou-se, substituindo o pagamento em espécie ou em trabalho entre camponeses e proprietários.
No século XVI, a Inglaterra tornou-se também um grande centro de extração de carvão e de produção de ferro, estanho, vidro, sabões e construção naval. Além da indústria têxtil, espalhada por burgos e aldeias do interior, surgiram empresas que utilizavam métodos novos para a extração do sal, o fabrico do papel, o refino do açúcar e a fundição do ferro e do cobre, A exploração das minas de carvão foi melhorada 1 com a utilização de bombas que permitiam o trabalho a grande profundidade.
Os lucros obtidos na produção e na exportação de mercadorias passaram - a ser investidos na compra de terras, ainda a principal riqueza e fonte de poder, por comerciantes, manufatureiros, traficantes e homens de negócios em geral. Surgiram assim os "agricultores capitalistas", um novo grupo de proprietários rurais, que investia seus ganhos na exploração comercial da terra.
0 desenvolvimento da economia mercantil dividiu os proprietários de terras e de riquezas em dois grupos antagônicos. De um lado, a alta nobreza formada pela antiga aristocracia dos "pares" do reino, que vivia das rendas fixas da terra e dos favores da corte e interessava-se em manter as práticas e os costumes feudais. De outro lado, consolidava-se a burguesia urbana e a "gentry" formada pela pequena burguesia independente e pelos novos agricultores capitalistas; esse grupo era partidário do cercamento dos campos e da liberdade de produção e de comercio.
A população rural também foi afetada pelo crescimento econômico. Havia os camponeses "yeomen" (pequenos e médios proprietários de terras) a os camponeses arrendatários que não eram donos dos lotes que cultivavam. A maioria dos yeomen que possuía propriedades de tamanho médio e produzia para o mercado, progrediu. Já os pequenos proprietários e os arrendatários com o início do cercamento dos campos, perderam suas terras e transformaram-se em assalariados ou desocupados.
Com a expulsão dos camponeses das terras cercadas, as revoltas tornaram-se freqüentes na Cornualha, no Devonshire e em Norfolk. 0 governo inglês tentou interferir, defendendo para os camponeses as 'Ire servas de terras de uso comum", para a pastagem do gado, mas não obteve êxito, visto que a iniciativa ia contra os interesses da gentry e dos camponeses proprietários (os yeomen), beneficiados pelos cercamentos que possuíam representantes no Parlamento.
0 desenvolvimento econômico e a generalização do uso da moeda trouxeram lucros para a burguesia urbana, a gentry e parte da yeo manry, grupos sociais que se dedicavam ao comércio e à produção, enquanto que a alta nobreza e grande parte dos camponeses viam seus rendimentos diminuírem ou perderem seu valor.
ABSOLUTISMO E MERCANTILISMO
Henrique VII (1485/1509) foi o iniciador da centralização política na Inglaterra, submetendo os nobres e subordinando as administrações locais ao seu controle. A centralização prosseguiu no reinado de Henrique VIII (1509/1547), facilitada pela criação, em 1534, da Igreja Anglicana, chefiada pelo monarca e separada da Igreja Católica Romana, após uma crise com o papa Clemente VII. As terras e as propriedades da Igreja Católica foram confiscadas pelo Estado e vendidas para a nobreza e para a burguesia.
Mesmo com o poder político fortalecido, os monarcas ingleses da dinastia Tudor -Henrique VII, Henrique VIII, Eduardo VI, Maria Tudor e Elisabeth 1 (1558/1603) - mantiveram um relacionamento razoável com o Parlamento, garantindo no país as tradições e as aparências de um governo representativo.
0 reinado de Elisabeth I foi um, período de grande crescimento econômico e correspondeu ao apogeu do absolutismo na Inglaterra.Seu governo praticou intensa intervenção na economia, através de medidas mercantilistas de favorecimento à% agricultura, às manufaturas, ao comércio e à navegação', Em 1581, um mercantilista inglês recomendava à rainha "acabar com a importação das mercadorias fabricadas no estrangeiro, e que poderiam sê-lo entre nós, restringindo a exportação de nossas lãs, peles e outros produtos no estado bruto, chamando artesãos de fora sob o controle das cidades, fabricando mercadorias suscetíveis de serem exportadas.
Elisabeth I proibiu a exportação de li em bruto e a importação de fios e de tecidos; distribuiu prêmios a que m fabricasse bons navios e concedeu monopólios temporários àqueles que introduzissem 'novas atividades no país, Os trabalhadores das manufaturas inglesas eram recrutados entre os camponeses expulsos do campo, transformados em desempregados e mendigos. Criaram-se leis que previam castigos e penas de morte aos que se recusassem a trabalhar. Surgiram as "Workhouses", onde os internos eram submetidos a uma longa jornada de trabalho, sob rígida disciplina.
Apesar de a rainha Elisabeth ter praticado intervenções militares nos Países-Baixos e na França, a inferioridade dos exércitos ingleses impediu qualquer ocupação territorial no continente europeu. 0 feito militar de maior vulto de seu reinado foi à anexação da Irlanda conseguida em uma guerra iniciada em 1595 e que durou nove anos. Por ser uma ilha, a Inglaterra não se sentia ameaçada de invasão, fato que desmilitarizou precocemente a sua nobreza. Por isso, não havia no e país um exército profissional permanente, semelhante aos existentes na Espanha e na França, as duas principais potências européias do século. XVI. Devido à presença, do Parlamento, a Coroa inglesa também não tinha autonomia financeira nem uma burocracia forte, como a França.
A grande realização do Estado absolutista inglês foi a modernização de sua marinha, iniciada por Henrique VIII, que quadruplicou o número de embarcações. A partir de 1579, os galeões da frota real passaram a ser equipados com canhões de longo alcance, fato que lhes permitia 'acertar os navios inimigos a uma grande distancia. Além de servirem ao comércio, os navios passaram a servir também à guerra, favorecendo a expansão marítima inglesa. Em 1588, os ingleses enfrentaram e venceram a "Invencível Armada" de Filipe II, aplicando um sério golpe no prestígio da Espanha, considerada então o mais poderoso país europeu. A partir daí, intensificaram-se as viagens de navegadores e decorsários à América, com o objetivo de saquear as embarcações espanholas carregadas de ouro e de empreender contrabando com as Antilhas.
EXPANSÃO MARÍTIMA E COLONIZAÇÃO
Com o crescimento do comércio e da navegação, foram fundadas as companhias inglesas de comércio, que reuniam capitais de acionistas e recebiam monopólios do Estado para a exploração de determinado produto ou de uma zona comercial, Foi o caso da Companhia da Turquia, da Companhia de Moscóvia, da Companhia da África, da Companhia das Índias Orientais (1600) e da Companhia da Virgínia (fundada em 1606 para a exploração da América Inglesa).
A ocupação efetiva de territórios da América do Norte pelos ingleses ocorreu a partir de 1607, quando foi fundada Jamestown, capital da Virgínia, no governo de Jaime I. A ação colonizadora foi facilitada pela existência de grande número de pessoas expulsas do campo pelos "enclousures" que se encaminhou para a América onde havia facilidade na obtenção de terras.
No decorrer do século XVII, o fluxo migratório contou com famílias burguesas e nobres que abandonaram a Inglaterra devido às perseguições religiosas ou políticas: eram os puritanos, os presbiterianos, os quakers, os católicos, etc. Até 1776, data de sua independência, existiam 13 colônias inglesas na América, fundadas por particulares por companhias de comércio ou pertencentes à Coroa.
Das colônias americanas chegavam a metrópole o tabaco, o índigo e o arroz (cultivados nas "plantations" escravistas do sul) e a batata, o milho, o centeio, a Levada e as peles de animais raros (produzidos nas colônias do centro e do norte), sendo proibido o intercâmbio direto com outros países, Entretanto, essas proibições não eram muito respeitadas e logo se desenvolveram ativas trocas entre as colônias do norte (região denominada Nova Inglaterra), as Antilhas e a África. Esse comércio triangular fortaleceu a burguesia colonial e trouxe-lhe grandes lucros.
As cidades inglesas de Líverpool e Bristol destacaram-se como portos ligados ao tráfico de escravos para a América, devido à necessidade crescente de mão-de-obra nas plantações e nas minas das colônias inglesas, portuguesas e espanholas. 0 escambo de negros na África era feito com mercadorias como têxteis e utensílios de ferro. Estima - se que, durante os 300 anos do tráfico de escravos, 15 milhões de negros foram introduzidos na América, sendo o Brasil o principal comprador, ocasionando a maior migração forçada de um continente para outro que o mundo conheceu. Os lucros acumulados pela Inglaterra com essa atividade levaram muitos historiadores a considerarem-na uma das causas favoráveis ao início da revolução industrial inglesa, em meados do século XVIII.
0 progresso econômico verificado nos séculos XVI e XVII enriqueceu a burguesia e os proprietários rurais que produziam para o mercado. Porém, entrou em choque com o sistema político vigente, baseado em leis e instituições ainda predominante feudais devido à influência da nobreza conservadora, fortemente representada na Câmara dos Lords. As mudanças vieram com a Revolução Inglesa de 1640/1660, da qual saírem vitoriosas as classes progressistas, que passaram a dominar o Parlamento inglês, favorecendo o livre desenvolvimento das forças capitalistas.
O Reino Unido é uma monarquia constitucional com Rainha Elizabeth II como chefe de Estado; o monarca do Reino Unido também atua como chefe de Estado de outros quinze países da Commonwealth, colocando o Reino Unido em uma união pessoal com aqueles outros países. A Coroa tem soberania sobre a Ilha de Man e os Bailiados de Jersey e Guernsey. Em conjunto, estes três territórios são conhecidos como as dependências da Coroa, terras pertencentes ao monarca britânico, mas que não fazem parte do Reino Unido. Elas também não fazem parte da União Européia. No entanto, o Parlamento do Reino Unido tem autoridade para legislar sobre as dependências, e o governo britânico cuida das relações exteriores e da defesa das dependências.
O Reino Unido tem um governo parlamentar baseado em fortes tradições: o Sistema de Westminster, foi copiado em todo o mundo - um legado do Império Britânico. A Constituição do Reino Unido governa o quadro jurídico do país, e é composto principalmente de fontes escritas, incluindo estatutos, jurisprudência, e tratados internacionais. Como não existe diferença técnica entre estatutos comuns e leis, considerados "Direito Constitucional", o Parlamento britânico pode executar "reformas constitucionais" simplesmente pela aprovação de Atos parlamentares e, portanto, tem o poder para alterar ou abolir quase qualquer elemento escrito ou não-escrito da Constituição. No entanto, o Parlamento não pode aprovar leis que os futuros parlamentares não possam mudar.[91] O Reino Unido é um dos três países no mundo de hoje que não tem uma Constituição codificada (sendo os outros dois a Nova Zelândia e Israel ).[92]
A posição de Primeiro-ministro, chefe de governo do Reino Unido, pertence ao membro do Parlamento que consegue a confiança da maioria na Câmara dos Comuns, normalmente o actual líder do partido político com maior representação nessa câmara. O Primeiro-Ministro e o Gabinete são formalmente nomeados pelo monarca para formar o Governo de Sua Majestade. Entretanto o Primeiro-ministro é quem escolhe o Gabinete, e por convenção, a Rainha respeita a escolha do Primeiro-Ministro. O Gabinete é tradicionalmente formado por membros do partido do Primeiro-Ministro nas duas casas legislativas, mas principalmente da Câmara dos Comuns. O poder executivo é exercido pelo Primeiro-Ministro e seu Gabinete, os quais são empossados no Mais Honorável Conselho Privado de Sua Majestade, e tornam-se Ministros da Coroa. Gordon Brown, líder do Partido Trabalhista, foi o Primeiro-Ministro, Primeiro Lorde do Tesouro e Ministro do Serviço Público a partir de 27 de Junho de 2007. No entanto, após as eleições de 2010, Brown renunciou no dia 11 de maio de 2010. A decisão foi tomada na medida em que convervadores e liberais-democratas se aproximam de um acordo para formar um novo governo. A saída de Brown encerra um ciclo de 13 anos de governos trabalhistas no Reino Unido, iniciado quando Tony Blair derrotou o conservador John Major em 1997. Na terça-feira, dia 11 de maio de 2010, a rainha Elizabeth II encarrega David Cameron como novo primeiro-ministro inglês para formação de um governo.[93]
O Palácio de Westminster.
O Parlamento do Reino Unido, que reúne-se no Palácio de Westminster é a autoridade legislativa máxima no Reino Unido. Ele é constituído por duas câmaras: uma Câmara dos Comuns, eletiva, e uma Câmara dos Lordes, nomeada, e qualquer projeto de lei aprovado exige o parecer favorável da Rainha para tornar-se lei. O parlamento devolvido na Escócia e as assembléias devolvidas na Irlanda do Norte, e País de Gales foram criadas após a aprovação pública, expressa através de referendos, mas estas não são entidades soberanas e podem ainda serem suprimidas pelo parlamento britânico.
Nas eleições para a Câmara dos Comuns, o Reino Unido está atualmente dividido em 646 círculos eleitorais, com 529 na Inglaterra, 18 na Irlanda do Norte, 59 na Escócia e 40 no País de Gales, embora este número aumente para 650 nas próximas eleições gerais. Cada círculo eleitoral elege um membro do Parlamento por pluralidade simples. As eleições gerais são convocadas pelo monarca quando o Primeiro-Ministro assim aconselhar-lhe. Embora não haja um tempo mínimo para um Parlamento, uma nova eleição deve ser convocada no prazo de cinco anos após a ùltima eleição geral. Para as eleições do Parlamento Europeu, o Reino Unido tem 78 deputados, eleitos através de 12 círculos eleitorais pelo método de múltiplos vencedores. As questões sobre soberania têm sido apresentadas devido à adesão do Reino Unido à União Européia.[94]
Os três maiores partidos políticos britânicos são: o Partido Trabalhista, o Partido Conservador, e os Liberais Democratas, conquistando entre eles 616 dos 646 lugares disponíveis na Câmara dos Comuns, nas Eleições Gerais de 2005. A maior parte dos lugares restantes foram ganhos por partidos que disputam as eleições em apenas uma parte do Reino Unido, tais como o Partido Nacional Escocês (apenas na Escócia), Plaid Cymru (apenas no País de Gales), e os Partido Unionista Democrático, Partido Trabalhista e Social Democrático, Partido Unionista do Ulster, e Sinn Féin (só na Irlanda do Norte, apesar de o Sinn Féin também disputar as eleições na Irlanda). De acordo com a política do partido, nenhum membro do Sinn Féin eleito para o Parlamento jamais foi à Câmara dos Comuns para discursar na Câmara em nome dos seus eleitores, porque os deputados do Parlamento são obrigados a fazer um juramento de fidelidade à rainha. No entanto, os atuais cinco deputados do Sinn Féin têm, desde 2002, usado os escritórios e outras instalações disponíveis em Westminster.[95]
O Reino Unido é uma união[9][10] de quatro nações constituintes: Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales. O Reino Unido é governado por um sistema parlamentar com a sede do governo em Londres, a capital, e é uma monarquia constitucional com a rainha Isabel II sendo a chefe de Estado. As dependências da Coroa das Ilhas do Canal (ou Ilhas Anglo-Normandas) e a Ilha de Man, formalmente possessões da Coroa, não fazem parte do Reino Unido, mas formam uma confederação com ele.[11] O Reino Unido tem quatorze territórios ultramarinos,[12] todos remanescentes do Império Britânico, que no seu ápice, possuía quase um quarto da superfície terrestre mundial, fazendo desse o maior império da história. Como resultado do império, a influência britânica pode ser vista na língua, cultura e sistemas judiciários de muitas de suas ex-colônias como o Canadá, Austrália, Índia e os Estados Unidos. A rainha Elizabeth II permanece como a chefe da Comunidade das Nações (Commonwealth) e chefe de Estado de cada uma das monarquias na Commonwealth.
O Reino Unido é um país desenvolvido, com a sexta (PIB nominal) ou sétima (PPP) maior economia do mundo. Ele foi o primeiro país industrializado do mundo[13] e a principal potência mundial durante o século XIX e o começo do século XX,[14] mas o custo económico de duas guerras mundiais e o declínio de seu império na segunda metade do século XX reduziu o seu papel de líder nos assuntos globais. O Reino Unido, no entanto, permaneceu sendo uma potência importante com forte influência económica, cultural, militar e política e é uma potência nuclear, com o segundo ou terceiro (dependendo do método de cálculo) maior gasto em defesa do mundo. É um Estado membro da União Europeia, tem um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, e é membro do G8, OTAN, OMC e da comunidade das nações
O liberalismo de Adam Smith
Adam Smith.
As novidades da Revolução Industrial trouxeram muitas dúvidas. O pensador escocês Adam Smith procurou responder racionalmente às perguntas da época. Seu livro A Riqueza das Nações (1776) é considerado uma das obras fundadoras da ciência econômica. Ele dizia que o individualismo é útil para a sociedade. Seu raciocínio era este: quando uma pessoa busca o melhor para si, toda a sociedade é beneficiada. Exemplo: quando uma cozinheira prepara uma deliciosa carne assada, você saberia explicar quais os motivos dela? Será porque ama o seu patrão e quer vê-lo feliz ou porque está pensando, em primeiro lugar, nela mesma ou no pagamento que receberá no final do mês? De qualquer maneira, se a cozinheira pensa no salário dela, seu individualismo será benéfico para ela e para seu patrão. E por que um açougueiro vende uma carne muito boa para uma pessoa que nunca viu antes? Porque deseja que ela se alimente bem ou porque está olhando para o lucro que terá com futuras vendas? Graças ao individualismo dele o freguês pode comprar boa carne. Do mesmo jeito, os trabalhadores pensam neles mesmos. Trabalham bem para poder garantir seu salário e emprego.
Portanto, é correto afirmar que os capitalistas só pensam em seus lucros. Mas, para lucrar, têm que vender produtos bons e baratos. O que, no fim, é ótimo para a sociedade.
Então, já que o individualismo é bom para toda a sociedade, o ideal seria que as pessoas pudessem atender livremente a seus interesses individuais. E, para Adam Smith, o Estado é quem atrapalhava a liberdade dos indivíduos. Para o autor escocês, "o Estado deveria intervir o mínimo possível sobre a economia". Se as forças do mercado agissem livremente, a economia poderia crescer com vigor. Desse modo, cada empresário faria o que bem entendesse com seu capital, sem ter de obedecer a nenhum regulamento criado pelo governo. Os investimentos e o comércio seriam totalmente liberados. Sem a intervenção do Estado, o mercado funcionaria automaticamente, como se houvesse uma "mão invisível" ajeitando tudo. Ou seja, o capitalismo e a liberdade individual promoveria o progresso de forma harmoniosa.
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